Thursday, August 17, 2006

Administração X Gestão

Link para matéria muito interessante do Valor Econômico sobre o conflito entre gestão e administração.

Monday, August 14, 2006

Multimercados

Matéria da Gazeta Mercantil de 14 de Agosto.

Multimercado reconquista o investidor e lidera captação

São Paulo, 14 de Agosto de 2006 - Queda de juros e aplicador mais maduro explicam a forte captação dessas carteiras. Os fundos de investimento multimercados - mais flexíveis para explorar as oportunidades dos diversos mercados - retomaram a confiança do investidor. De todo o volume captado pela indústria de fundos ao longo de 2006, essas carteiras lideraram as aplicações com cerca de 40%, ou R$ 18,3 bilhões, destaca levantamento da consultoria Quantum. Com esse fluxo de recursos e um retorno médio de 11%, o patrimônio dos multimercados superou os R$ 152 bilhões, o que corresponde a uma participação de 18,6% no setor (com volume de R$ 817,3 bilhões).
O movimento representa uma reversão do que ocorreu em 2005, quando os multimercados sofreram resgates de quase R$ 3 bilhões e tiveram sua participação na indústria de fundos reduzida de 29% em janeiro para 17,6% no final do ano. A alta dos juros durante boa parte do ano, a crise do mensalão e o fraco desempenho da Bolsa afastaram o investidor dos multimercados, uma que vez que a aplicação tem um nível de risco maior. Mas, a partir de setembro, quando foi dado início ao corte da Selic, esse mercado começou a apresentar recuperação, mas ainda não o suficiente para anular as perdas do ano.
"Queda de juros e boa performance explicam o desempenho positivo dos multimercados", avalia Fernando Ganme, sócio da Capital Serviços de Agente Autônomo, distribuidora de fundos com foco em produtos de risco. De fato, toda vez que a tendência do juro apontava para baixo, os multimercados aumentavam seu peso no setor. Dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) mostram que, entre dezembro de 2002 e dezembro de 2004, a fatia dos multimercados passou de 26,6% para 29,6%, enquanto a taxa Selic caiu de 25,50% para 17,25% ao ano.
O gestor da Mauá Investimentos, Lourenço Tigre, reconhece que a dinâmica da taxa de juros e o ambiente macroeconômico - com o País menos vulnerável a crises e inflação controlada - foram fundamentais para que o investidor começasse a pensar na sua poupança com uma visão de mais longo prazo e buscar ativos que gerassem uma rentabilidade melhor. Mas, na sua opinião, há um outro fator importante que explica o bom desempenho dos multimercados: o amadurecimento da indústria.
"Os investidores estão mais confortáveis com esse tipo de aplicação, uma vez que entendem melhor o nível de risco a que estão sujeitos e, conseqüentemente, suportam melhor a volatilidade desses fundos, em troca de melhores retornos", explica. Além disso, ele ressalta o amadurecimento do ponto de vista da gestão, uma vez que os multimercados começam a formar um histórico, ainda que recente, e com isso ganhar mais credibilidade.
Isso explicaria, inclusive, o fato de os multimercados terem resistido bem à volatilidade do mês de maio, provocada pela indefinição quanto ao juro americano. No geral, esses fundos não sofreram resgates, nem mesmo com o fato de algumas carteiras terem perdido rentabilidade. "Também para o analista da Hedging-Griffo, Luiz Parreiras, esse movimento reflete o amadurecimento do investidor. "Em anos anteriores, qualquer sinal de volatilidade e fraca performance gerava uma ondas de resgates", informa.
Parreiras afirma que os multimercados ganharam muito dinheiro no início do ano, por conta do cenário claro para os ativos (juro em queda, apreciação do real e performance positiva para a Bolsa), da forte liquidez, do fluxo intenso de estrangeiros e da ausência de crises. "Já maio foi um mês difícil, mas boa parte dos gestores conseguiu proteger seus ganhos no ano, ou seja, já estava colocando o dinheiro no bolso", destaca. E os investidores, acrescenta Tigre, perceberam que fez sentido ter mantido suas aplicações. A média de retorno dos multimercados em 2006 está em 11%, acima dos 9,37% do CDI. Fundos como o Hedging-Griffo Verde e o multimercado da Mauá, por exemplo, acumulam ganhos bem superiores, de 18,53% e 20,89%, respectivamente.
O sócio da Quantum, Maxim Wengert, acrescenta que a captação significativa dos multimercados neste ano é reflexo do desenvolvimento da indústria de fundos ao longo dos anos, por conta da evolução da legislação, de divulgação de informação, ferramentas de análise disponíveis aos investidores e estratégias sofisticas adotadas pelos gestores.
Para os especialistas, a tendência continua favorável para esses fundos. Segundo Parreiras, com fundamentos da economia positivos e o juro em queda, os multimercados tendem a ganhar cada vez mais espaço, como uma alternativa de retorno maior.
Para Ganme, da Capital, o multimercado é "sempre um bom produto", uma vez que pode ganhar tanto num cenário positivo ou pessimista. "O que se compra, no caso do fundo multimercado, é a visão do gestor em relação ao cenário e não o cenário." Segundo o especialista, esse é o tipo de aplicação que o investidor tem de colocar o dinheiro e esquecer.kicker: Com R$ 18,2 bilhões e retorno médio de 11% (contra 9,37% do CDI), categoria atinge volume de R$ 152,3 bilhões, ou 18,6% do setor

Wednesday, July 26, 2006

Argucia Capital

Link para matéria do Valor Econômico com nova asset de ações Argucia Capital.
Macquaire

Macquarie combines hedges in a boutique
(From The Australian (Australia), provided by LexisNexis)
Publication: The Australian (Australia)
Robert Clow
Investment
MACQUARIE Bank has rebranded and simplified its hedge fund offering, grouping just over $1 billion in funds under the newly designated MQ Specialist Investment Management umbrella.
Consistent with the investment bank's freedom within limits strategy, and its strategy of attaching alternative investment management operations to its investment bank, Macquarie is trying to create an internally managed boutique hedge fund management firm.
It was important that the group had a boutique feel because Macquarie was aiming to create a group that was entrepreneurial and flexible in its investment strategies, but grounded with the bank's strong risk management and operations disciplines, said Cathy Kovacs, a division director in the equity markets group.
Macquarie is already one of the world's largest alternative asset managers through its infrastructure and property funds and it is increasingly venturing into private equity.
Building the bank's hedge fund offering and leveraging off its distribution and risk management strengths fits with Macquarie's broader plan. Ms Kovacs also acknowledged there had been client confusion over Macquarie's varied hedge fund brands. ''What we wanted was to combine the various hedge fund activities that we have been involved in,'' she said.
MQ will rank in the top five Australian hedge fund managers by assets under management.
The MQ funds are comprised of $602.5 million in funds which invest in a portfolio of other hedge funds (funds of funds), $327.3 million in single-strategy funds and $136.8 million in fund structured products.
MQ will offer a variety of different Australian, Asian and Japanese equity-based strategies as well as a global commodity futures fund and a multi-strategy fund which will group together a number of MQ's different hedge fund offerings.
Aside from their regional flavour, the funds' other distinguishing element will be their quantitative bias.
MQ's growth strategy will focus on attracting more offshore fund of funds money and more Australian superannuation fund money.
Despite producing two months of unimpressive performance, hedge funds globally attracted a record $US42 billion ($55.6 billion) in new investments over the past quarter, according to HFR.

Monday, July 24, 2006

Entrevista

Link para interessante entrevista com Robin Bowie da Dexion Capital.
Custódia

Matéria publicada na Gazeta Mercantil de 24 de Julho de 2006.

Estrangeiro puxa crescimento do setor de custódia de títulos

São Paulo, 24 de Julho de 2006 - Desde o final de 2002, os ativos "guardados" para o investidor externo saltaram 327%. A expansão e o desenvolvimento dos mercados de capitais e investimentos nos últimos anos têm sido acompanhados de perto pelo setor de prestação de serviços, como o de custódia qualificada de títulos e valores mobiliários. Desde o final de 2002, o total de ativos sob guarda em bancos mais que dobrou, passando de R$ 516,7 bilhões para R$ 1,319 trilhão em junho, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). A custódia para o cliente local, como fundos de pensão e gestores de recursos, ainda representa a maior parte do volume de títulos custodiados - cerca de 75% -, mas é o serviço para o mercado externo o que mais cresce. Com o interesse crescente pelo Brasil, a custódia para o investidor estrangeiro deu um salto de cerca de 327% em três anos e meio, com o total de ativos passando a R$ 337,6 bilhões em junho; no mesmo período, o aumento da custódia local cresceu 124,5%, a R$ 982,2 bilhões. Para Pedro Guerra, superintendente de custódia do Citibank, o crescimento da atividade no mercado local está muito associado à expansão do setor de investimentos, com o aumento do patrimônio tanto pela valorização dos preços dos ativos quanto pela entrada de recursos novos de fundos de pensão, gestores, entre outros. Nesse segmento, segundo Guerra, é mais difícil haver uma explosão de ativos, até porque os principais clientes já estão no mercado. "O conceito de custódia, que é a segregação da guarda e controladoria dos ativos, já está inserido entre os investidores locais", afirma. "O crescimento no mercado nacional é orgânico", reforça o superintendente executivo do departamento de ações e custódia do Bradesco, Cassiano Ricardo Scarpelli. Segundo ele, tende a acompanhar a indústria de investimentos, que continua em franca expansão, com o surgimento de novos produtos, como fundos de recebíveis e de private equity. O desafio internamente, segundo Scarpelli, é garimpar novos clientes dia-a-dia, roubando-os da concorrência. O Bradesco, por exemplo, conseguiu um salto de R$ 12 bilhões em ativos custodiados, com a conquista recente dos fundos exclusivos da Petrobras. O potencial maior de crescimento é na área de custódia internacional. "Esse é um mercado grande e pouco explorado, especialmente com o Brasil caminhando para o investment grade", afirma Guerra. O executivo conta que neste ano conquistou 620 novos clientes estrangeiros. Segundo ele, ainda são contas pequenas, de alguns milhares de reais, mas a tendência é de crescimento. Com a isenção, no início do ano, da alíquota de IR sobre os investimentos estrangeiros em títulos públicos federais foi zerada. Isso atraiu muitos investimentos ao País e fez as instituições se mexeram. O Itaú, por exemplo, anunciou em abril a criação de uma gerência de produtos internacionais para atender exclusivamente esse cliente, que investe no Brasil, via Resolução 2.689. "A avalanche de recursos, no médio prazo, virá do mercado externo", diz Scarpelli. Segundo ele, o Brasil disputa apenas 2% dos trilhões de dólares de patrimônio dos fundos internacionais que podem aplicam em países considerados mais arriscados. Mas, com o grau de investimento, esse percentual pode passar a 10%. O Brasil, acrescenta, está preparado para receber grandes volumes: tem regulamentação e infra-esturura.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Alessandra Bellotto)

Mercado concentrado

24 de Julho de 2006 - Apesar do tamanho do setor de custódia - R$ 1,319 trilhão -, o mercado é bastante concentrado. O líder Itaú, um dos mais antigos players, detém participação de 22,79%, com a custódia de R$ 300,8 milhões em ativos; o Bradesco tem uma fatia de 16,85% (R$ 222,33 milhões) e o Citibank, 16,43% (R$ 216,90 milhões). Com margens apertadas e necessidade constante de investimentos em tecnologia, escala é a alma do negócio. Segundo o superintendente executivo de ações e custódia do Bradesco, Cassiano Ricardo Scarpelli, os grupos financeiros têm mais vantagens. "Com assets próprias, conseguem ganhos de processamento e sinergia." Em maio, o banco chegou à vice-liderança do setor, posição que era ocupada pelo Citibank. A diferença, no entanto, é relativamente pequena (R$ 5,5 bilhões). "O forte do Citi é a custódia para terceiros", diz o superintendente de custódia Pedro Guerra. Nessa área, o banco é o segundo no ranking, atrás do Itaú. Também, lidera a custódia para estrangeiros, serviço que marcou sua estréia nesse mercado em 1991. "A expertise internacional é a grande vantagem competitiva do Citi." O mercado é concentrado, mas nem por isso menos competitivo. "A custódia é uma importante alavanca de negócios", argumenta Scarpelli. Segundo ele, representa a oportunidade para oferecer outros serviços, como cobrança, operações estruturadas de caixa, serviço de controle para acionistas. Nos EUA, o Citi faz a gestão do portfólio para o cliente, com foco na performance dos investimentos, por exemplo. Desde 2003, o Bradesco investiu R$ 35 milhões em tecnologia. O orçamento do Citi para 2006 e 2007 é de da ordem de US$ 4 milhões.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)

Tuesday, July 18, 2006

Santander

Entrevista com o Diretor de Estratégia da América Latina do Santander que saiu na Gazeta Mercantil de 18 de Julho.

"O juro pode baixar porque subiu na hora certa"

Santander (Espanha), 18 de Julho de 2006 - BC foi "valente", diz diretor do Grupo Santander; agora, vai na boa contramão do resto do mundo. O Brasil vem crescendo menos que América Latina que, por sua vez, cresce menos do que o mundo. Pode haver muitas respostas, nem sempre satisfatórias, para essa questão - da baixa taxa de investimentos ao ambiente de negócios e aos juros altos. Mas não adianta culpar o Banco Central por isso, afirma José Juan Ruiz, diretor de Estratégia para a América Latina do Grupo Santander. Ao contrário, o BC foi muito "valente" ao aumentar os juros quando a inflação recrudesceu e o dólar disparou na virada 2002/2003, quando o presidente Lula assumiu. Por tê-lo feito naquela época, o BC brasileiro "comprou credibilidade". Agora, é o único Banco Central do mundo que está baixando os juros, enquanto os outros caminham na direção contrária: Estados Unidos, Europa, Japão, para não falar em emergentes como a Turquia. Essa credibilidade, na opinião de Ruiz, permite ao BC brasileiro agir com independência também no câmbio - mesmo que o dólar "de equilíbrio" devesse estar em qualquer ponto entre R$ 2,20 e R$ 2,35.

Ruiz, 48, conhece bem o Brasil. Entrou por concurso no Ministério da Economia e ganhou espaço no governo de Felipe González (1982/1996), então líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), ao qual era filiado. Conheceu lá Francisco Luzón, com quem trabalha até hoje: diretor-geral para as Américas, Luzón (que foi presidente do Banco Exterior de Espanha, então estatal, e também passou pelo governo González) é seu chefe no Santander. Ruiz viveu, portanto, experiências que o tornam um bom conselheiro para políticos e economistas brasileiros. Fala com o senador Aloizio Mercadante (PT) e o ex-prefeito José Serra (PSDB), ambos candidatos ao governo de São Paulo e ambos oriundos da esquerda católica, como ele próprio. De sua passagem pelo governo, recolheu, entre outras, uma lição que repassa: os ganhos da social-democracia espanhola só se tornaram possíveis a partir da estabilidade macroeconômica, que zelosamente perseguiu e conquistou. Com José Luiz Zapatero, o PSOE voltou ao poder há dois anos e mantém políticas que produziram um crescimento ininterrupto: desde então, a Espanha cresce 3% ao ano (projeção de 3,3% para 2006), bem acima da média da Eurozona, 1,9%. A seguir, trechos da entrevista:

Gazeta Mercantil - O senhor diz que muitos mitos estão sendo derrubados. Por exemplo: não dá para crescer com inflação baixa, nem dá para crescer com superávit nas contas correntes e ou só com poupança interna. De fato, com superávits e acumulação de reservas, a América Latina vem crescendo nos últimos anos a taxas entre 4% e 5% ao ano, com inflação caindo da média de 11,9% (em 1997) para 5,8% em 2006. Mas isso não se aplica inteiramente ao Brasil: a inflação é cadente, baixando a menos de 4,5% ao ano, mas o crescimento é pequeno, de 2,2% nos últimos anos, enquanto o mundo bate nos 5%. Por quê?
José Ruiz - Temos que ver as coisas numa perspectiva de longo prazo. Há níveis de inflação a que é preciso chegar antes de aspirar a crescer. À parte os últimos anos (inflação de 6% ou 7%), o Brasil vem tendo há 25 anos baixo crescimento com taxas de inflação médias de 400% anuais, que custaram muita desigualdade social. O problema não é dizer: crescemos pouco porque a inflação é baixa ou porque os objetivos de inflação muito baixa exigem juros altos. Nego-me a admitir isso. O Brasil tem crescido pouco, porque a cicatriz, a memória inflacionária é muito difícil de apagar. O que digo é o Brasil teve que levar a inflação a níveis normais a outros países que estão crescendo e esse processo foi muito custoso em termos de crescimento.

Gazeta Mercantil - As metas de inflação são consideradas muito rígidas.
O importante não é se o número é 4%, 3,5% ou 5,5%. O importante é saber quanto custa ter um Banco Central com credibilidade, num país com a história inflacionária do Brasil. O BC provavelmente pagou um preço há dois, três anos, quando todos queriam baixar os juros a 14%. Disse não, as expectativas de inflação estão elevando-se e tenho novamente que apertar. Naquele momento, demonstrou sua independência política, mostrando que efetivamente levava a sério seu trabalho de fazer a inflação convergir para a meta. O mundo tem uma taxa de inflação de 5%. O Brasil não pode crescer a 7% se sua taxa de inflação é de 8%. Aí, o BC comprou credibilidade. Foi uma decisão muito valente, importante. Provavelmente tirou do Brasil um ponto, 1,5 ponto de crescimento nos últimos dois anos. Mas agora, num momento em que todos aumentam os juros, o brasileiro é o único do mundo que está baixando, diante de uma inflação que deve ficar abaixo de 4%, porque subiu antes. A tarefa do Banco Central não é molestar os políticos aumentando os juros. É, como recomenda a Constituição, manter o valor da moeda e sustentar a estabilidade de preços.

Gazeta Mercantil - Isto vem custando muito aos brasileiros.
Sim, custa. Seria possível reduzir o custo se houvesse mercados mais flexíveis, maior dinamismo empresarial privado, melhor distribuição dos impostos. Nem digo que os impostos são altos. Digo que se poderia aumentar a arrecadação com impostos mais simples. Sei dos problemas polícos, mas tem que fazer. A população acabará se convencen-do de que ter impostos desordenados, complexos, casuísticos, também custa e muito. Mas há outros obstáculos. Apesar da estrutura econômica e do dinamismo da população, é muito difícil fazer negócios no Brasil, que tem um modelo microeconômico muito complicado. O peso do setor público é muito alto e a competição, muito baixa. Isto vai ter que se corrigir. E mais: não dá para pensar em crescer 5% se o Brasil não investir pelo menos 21% do PIB.

Gazeta Mercantil - Cresce o desconforto no Brasil quanto à taxa de câmbio, que desestimula as exportações. O que fazer? O BC deve intervir? O que o senhor faria?
O Banco Central identificou corretamente o problema. Não esqueçamos de que o Brasil recuperou reservas que lhe permitiram pagar o FMI, pagar parte da dívida e, ao mesmo tempo, apreciar sua moeda. De novo, muita gente está vendo só o curto prazo. A moeda se apreciou em relação aos R$ 4 por dólar, mas concordemos que isso é o que o mundo pensava naquele momento, quer dizer, que o Brasil daria calote. Aí valeu a credibilidade do Ministério da Fazenda, que disse: vamos nos comportar bem, respeitar as regras. Mudou o quadro. O BC agiu bem deixando apreciar, isso ajudou a inflação a cair e impediu alta maior dos juros. Agora, lhe permite graduar o descenso dos juros. Creio que o câmbio real hoje deve estar entre R$ 2,20 e R$ 2,35. Quase todos os modelos de avaliação dos fundamentos do país estão aí. Não em R$ 3, nem naquele 1 a 1 argentino.

Gazeta Mercantil - Intervir, não?
O que se deve é evitar que o câmbio, por razões extraordinárias, como entradas de capital, possa no curto prazo cair a R$ 1,80 por dólar. Não creio que esse seja o câmbio de equilíbrio do país. Pode-se intervir em algum momento, por curto tempo. Mas a flexibilidade cambial é muito boa. Diz ao mercado que o BC joga com as regras que diz que joga e não as muda no meio da partida.

Gazeta Mercantil - O senhor defende que se reconheça um "novo modelo" para toda a região. Além da estabilidade macroeconômica e da sustentabilidade financeira, esse novo modelo envolve uma reavaliação do papel do Estado, que supõe: a transição do "laisser-faire do neo-liberalismo" dos anos 1990 para um regime de parcerias público-privadas; um reforço da capacidade regulatória do Estado, com "eventual redefinição" das regras do jogo; políticas de redistribuição de renda, para crescer com mais igualdade; investimentos na área social. O que está acontecendo com os países ricos? Até Davos já colocou esses temas em sua agenda. A pregação de Lula, a partir do Fome Zero, está surtindo efeito?
Creio que, num mundo mais inseguro, sabemos hoje mais sobre os custos da desigualdade. Os latino-americanos também sabem que necessitam de mais coesão. Viver em países tão segmentados, regionalmente e de classes, tem custos. Metade do continente está fora dos mercados, do consumo, e esse contingente tem que ser incorporado. Do nosso ponto de vista, falo do banco, não vamos deixá-los de fora. Já estamos buscando novas formas de fazer negócios. Primeiro, por razões econômicas, depois por razões morais. O que é muito importante. Quando essas razões morais entram cena, elas reforçam minha esperança no futuro do gênero humano.

Gazeta Mercantil - Não há, no mundo rico, uma parcela de hipocrisia nisso?
Suponho que haja de tudo, da hipocrisia à indústria da pobreza. Um historiador de economia, Robert Fogel, Prêmio Nobel (1993), demonstrou que a escravidão era rentável, ao contrário do que todo mundo acreditava, e que só acabou porque era moralmente melhor que isso acontecesse. Dizendo não, a sociedade sairia à procura de outros tipos de relações do trabalho e isso deu lugar ao crescimento dos EUA na segunda metade do século 19. Vivemos hoje uma situação parecida. O que é economicamente ineficiente começa a ser perigoso. Ademais, moralmente o mundo começa a se dar conta de que é um perigo essa diferenciação na renda. A desigualdade na AL só é comparável à da África sub-sahariana. Não é possível. Conseguimos enfrentar o nível de desigualdade da Espanha, que em 1950 era maior que o da AL.

Gazeta Mercantil - O senhor trabalhou no governo de Felipe González, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que arrumou a casa e preparou a Espanha para os anos de crescimento sustentado que vieram a seguir. Conhecendo bem o PT, o PSDB e alguns de seus políticos, o que pode dizer a eles?
Todos os avanços que a social-democracia conquistou para a Espanha, em termos de educação, saúde, ganhos sociais, investimentos em infra-estrutura, só foram tornados possíveis pela racionalidade econômica. As reformas na economia permitiram que se fizesse tudo o mais. Creio que no Brasil há muita consciência a respeito disso.

kicker: "Nego-me a admitir que o Brasil cresce pouco porque a inflação é baixa; a memória inflacionária é que é muito difícil de apagar"

kicker2: "Creio que o câmbio deve estar entre R$ 2,20 e R$ 2,35. Quase todos os modelos de avaliação estão por aí. Não em R$ 3" (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(José Roberto Nassar)

Monday, July 17, 2006

Supervisão de Hedge Funds

Segue artigo de Chet Currier - Bloomberg - sobre a supervisão de hedge funds nos EUA.

Hedge Funds Will Be Regulated, One Way or Another: Chet Currier
July 14 (Bloomberg) -- Don't be misled by the recent news that a U.S. court blocked the Securities and Exchange Commission from regulating hedge funds.
The hot-as-a-pistol $1.2 trillion hedge fund business hasn't permanently escaped the clutches of regulators. It has only postponed the inevitable.
As these fast-moving, risk-prone vehicles keep attracting a wider following, they present a higher and higher profile politically as well as financially and economically. In the words of the old jungle metaphor, the higher the monkey climbs the tree the more he exposes his rear.
The SEC's plan mandating that hedge funds register with the agency and submit to random inspections was really quite a cautious step.
``It's the mildest kind of regulation,'' said Arthur Levitt Jr., a former SEC chairman and a director of Bloomberg LP, parent of Bloomberg News. ``If there is a hedge fund scandal, and there probably will be some time in the future, Congress will step in with something much more draconian.''
Court decision or no court decision, scrutiny of hedge funds is increasing from all directions. Morningstar Inc., the Chicago-based mutual-fund and stock research firm, has started tracking investment results and fees at 3,000 of the estimated 8,000 hedge funds now in operation.
Into the Light
``Hedge funds are coming downstream trying to appeal more to Middle America,'' said Don Phillips, a Morningstar managing director. ``You can't do that and operate in the secrecy that this industry has today.''
If politicians, independent researchers and the press aren't enough to contend with, hedge funds also face pressures from their customers -- at least that growing part of their customer base represented by investing institutions operating under the strictures of fiduciary responsibility.
As Paul Atkins, an SEC commissioner, observed recently, many hedge-fund advisers will remain registered at the insistence of their pension-fund clients.
Just possibly, hedge fund managers themselves will also come to see regulation as a beneficial thing. That may seem hard to imagine, especially if you think of the regulation in question as costly, bureaucratic meddling that fails to recognize how the business works and denies fund managers the free hand they need to do their jobs.
Heavy Hand
Regulation can certainly be like that. And hedge funds are a complex business to understand, what with the many different styles and strategies they pursue.
So a key first step in any workable system for regulating hedge funds is to define the term. Where, for starters, can we sensibly draw a line of demarcation between a private individual investor, handling money for a few family members or friends, and a hedge-fund manager?
Sooner or later, these questions will demand to be answered. Sooner may work out better for the hedge-fund business, if it means getting to those answers through a voluntary cooperative effort rather than an inquisition.
Though hedge funds differ from mutual funds in many important ways, the hedge funds can always look to the history of mutual funds for instructive precedent.
Law and Order
The early, wild-and-wooly days of mutual funds and their cousins, closed-end funds, in the 1920s ended in disaster with the Crash of 1929 and the Great Depression of the 1930s.
That set the stage for the Investment Company Act of 1940, which today is acclaimed as an exemplar of good regulation. By shutting the door on such temptations as using funds as a dumping ground for unwanted stocks and bonds, the '40 act made it possible for mutual funds to enjoy storybook growth and prosperity.
In the early 2000s, that prosperity -- indeed, the funds' very image as trustworthy -- proved strong enough to withstand a scandal over trading and sales practices. The SEC, even though it was criticized for being slow to spot the abuses and take action against them, played a key role there. If Congress hadn't been satisfied that a reasonable system of regulation was already in place, it would have imposed one.
Events now are pushing hedge funds toward their own version, in some form, of the 1940 act and SEC regulation. If they don't move willingly in that direction, the day may come when they wish they had.
(Chet Currier is a Bloomberg News columnist. His opinions are his own.)

Thursday, June 29, 2006

Básico

Algumas características básicas de hedge funds podem ser encontradas aqui.

Monday, June 26, 2006

Private Equity

Artigo sobre fundos de venture capital que saiu hoje (26/06) no Valor Econômico.

Fundos iniciam novo ciclo e preparam captação de R$ 5 bi
Catherine Vieira e Altamiro Silva Júnior
26/06/2006

Os fundos de investimentos em participações (FIPs), também conhecidos como de "private equity" estão começando um novo ciclo de investimentos. Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já foram informados esse ano a criação de pelo menos dez fundos, que somam mais de R$ 5 bilhões em patrimônio, incluindo os que obtiveram dispensa de registro. Entre as novas carteiras, está o fundo Logística Brasil, de R$ 500 milhões, e o AG Angra Infra-estrutura, de R$ 750 milhões. Os números deste ano superam, de longe, os de 2005, quando foram registrados fundos que somavam R$ 2,1 bilhões. Em 2004, foram R$ 1,42 bilhão. A onda de aberturas de capital de empresas na bolsa - iniciada em 2004 e que ganhou força no ano passado e neste primeiro semestre - ajudou, com os sinais positivos dados aos investidores. Nesse período, das 20 ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) do mercado, os fundos de private equity participaram de 13, o que permitiu vislumbrar para os gestores a porta de saída para os investimentos. Entre elas, estão a administradora de cartões CardSystem, a fabricante de cartões e cheques, American BankNote e a empresa de softwares, Totvs. Esta última vai contar seu "case" em evento na quarta-feira, em São Paulo, promovida pela Associação Brasileira de Private Equity (ABVCap). O desinvestimento, aliás, era a grande preocupação dos participantes desse segmento quando iniciou o primeiro ciclo de investimento, no período de 1995 a 1998, avalia Marcus Regueira, o novo presidente da ABVCap. "É mais um ponto positivo para incentivar uma nova rodada de investimentos e a formação de novos fundos", diz. No Brasil, as estimativa são de que os fundos já levantaram mais de US$ 4 bilhões nos últimos 12 meses com ofertas de ações. Um levantamento da Emerging Markets Private Equity Association (Empea), com sede em Washington, mostra que isso é uma tendência entre todos os países emergentes. A entidade estima que os IPOs renderam US$ 21,2 bilhões para os private equity em 2005, o triplo do ano anterior. Além disso, os agentes do mercado conseguiram mais recentemente maturar a nova legislação. Apesar de existirem sob a forma de estruturas "offshore" ou como fundos de empresas emergentes ou mesmo fundos de ações tradicionais, os investimentos em "private equity" no Brasil só ganharam sua formatação própria por meio da Instrução 391, editada por Luiz Leonardo Cantidiano, então presidente da CVM, em julho de 2003. "Houve um período de discussão e preparação nos últimos anos, alguns fundos que estão sendo registrados já vinham sendo discutidos há algum tempo e agora se concretizam", lembra o próprio Cantidiano, agora à frente do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados. "Temos recebido consultas. Muitas empresas perceberam que os concorrentes estão indo a mercado ou a investidores de private equity e estão conseguindo captar e crescer, então isso gera um interesse maior por esses mecanismos", diz. O advogado Antonio Felix de Araujo Cintra, sócio do Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados concorda. Ele acredita inclusive, que a volatilidade e a turbulência que se instalaram no mercado desde maio, atrapalhando as novas ofertas de ações, favorecem, de certa forma, o novo ciclo dos fundos de participação. "Antes, o mercado estava tão propício, que as empresas, independentemente do perfil e de já ter passado antes por um investidor de private equity, já iam direto para o Novo Mercado abrir capital", disse Felix, lembrando que o ciclo mais eficiente para acessar o mercado de capitais é a empresa passar por uma transição preparatória num fundo de participações antes da listagem em bolsa. Neste contexto, a atual queda das bolsas vai ajudar os fundos de private equity, avalia Alvaro Gonçalves, sócio da gestora Stratus Banco de Negócios e ex-presidente da ABVCap. "As empresas vão ter consciência de que precisam se preparar mais e melhor para ir para ao mercado", afirma. E nada melhor que um fundo de private equity para ajudar nessa preparação. "O mercado vai ficar mais seletivo e só empresas bem preparadas terão sucesso", completa. Para Felix, do Tozzini, a turbulência recente não prejudica tanto os FIPs porque o investimento destes fundos é de longo prazo, de 5 a 10 anos. "O importante foi ter a confiança de que há janela de saída, as turbulências são normais, porque janelas de mercado abrem e fecham, o problema do Brasil é que ela fechava demais." De acordo com Luiz Eugênio Figueiredo, diretor da Rio Bravo, um novo ciclo realmente pode estar se desenhando no segmento no Brasil. Ele lembra que antes havia dúvidas sobre o momento do desinvestimento e também houve um período de adaptação à legislação. "Entre montar o fundo, iniciar a captação e adequar os regulamentos era um processo que em muitos casos durou mais de dois anos", observa Figueiredo. As coisas já começam a mudar, avalia. A superintendente de registros em exercício da CVM, Flávia Mouta Fernandes, diz que há mais FIPs chegando à autarquia e que cada vez menos são solicitadas modificações nos regulamentos das carteiras. Para Figueiredo, da Rio Bravo, a tendência é que daqui para frente o processo fique mais ágil. "Há mais disposição dos investidores e já se encontraram caminhos para fazer os regulamentos", diz o executivo, que está montando também um FIP na Rio Bravo voltado para a área de infra-estrutura e logística, que deve captar R$ 250 milhões.

Setores de biotecnologia, varejo e infra-estrutura devem atrair recursos
De São Paulo e do Rio
26/06/2006

A nova rodada de investimentos dos fundos de private equity será mais diversificada que a primeira, avalia Álvaro Gonçalves, sócio do Stratus Banco de Negócios e conselheiro da Associação Brasileira de Private Equity (ABVCap). "O ciclo anterior ficou muito concentrado em internet e privatizações", diz. Para este novo ciclo, setores como biotecnologia e varejo, além do agronegócio e infraestrutura devem ganhar mais atenção dos gestores que avaliam oportunidades de investimentos. A estimativa é que a infra-estrutura (incluindo a área de logística) fique com a maior parte dos aportes. O Stratus, por exemplo, está lançando um fundo só para o setor de biotecnologia. No agronegócio, a gigante AIG Capital, comprou recentemente uma participação no frigorífico gaúcho Mercosul.

Outra preocupação do setor é mostrar boas empresas brasileiras para os investidores estrangeiros. A ABVCap fará em setembro apresentações para grandes investidores dos Estados Unidos para mostrar oportunidades de investimento no Brasil. Segundo Marcus Regueira, o presidente da ABVCap, apesar do crescimento pífio do PIB brasileiro, há setores da economia e regiões do país com desempenho muito melhor e que são desconhecidos dos estrangeiros. Entre eles, ele cita o setor exportador, tecnológico e o varejo. "Temos setores com crescimento semelhante a China e Índia", afirma. As apresentações nos EUA estão orçadas em R$ 1,8 milhão, dos quais cerca de 40% virão do governo federal. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também está aprimorando suas estatísticas para o setor. A partir do fim deste mês, os FIPs informados à CVM passam a ter todos os dados consolidados e publicados no site da autarquia. Com isso, será possível saber qual o montante total que está hoje alocado nesses fundos. Por enquanto, já se pode ver no site da CVM que há 33 fundos em operação, mas os valores totais ainda não estão consolidados. "Agora, os gestores estão começando a enviar essas informações periódicas e acredito que até o fim do mês isso já estará consolidado e disponível", disse Flavia Fernandes, superintendente de registro em exercício. (ASJ e CV)

Wednesday, June 21, 2006

Neo

Notícia que saiu hoje na Gazeta Mercantil sobre um novo fundo da Neo.

Neo Investimentos lança multimercado

São Paulo, 21 de Junho de 2006 - A Neo Investimentos abre para captação um fundo multimercado com estratégia macro, ou seja, que busca antecipar movimentos do mercado, nos segmentos de juros, câmbio, Bolsa, títulos de dívida externa, entre outros. Com aplicação mínima de R$ 25 mil, a carteira, que já reúne patrimônio de R$ 3,5 milhões, tem como meta uma rentabilidade de 140% a 150% do CDI (o juro interbancário). Marcelo Cabral, sócio da gestora independente, reconhece que o momento é ruim para lançar uma carteira direcional - a volatilidade dos ativos dificulta projeções de cenários -, mas afirma que o objetivo da Neo é ampliar sua linha de produtos e firmar-se também como uma casa de gestão com enfoque macroeconômico. Esse é o terceiro fundo da Neo, criada em julho de 2003. O Neo Multi Estratégia, criado em agosto do mesmo ano, é um fundo que busca distorções de preços em operações de arbitragem nos mercados locais de juros, câmbio e Bolsa, tanto no mercado à vista quanto nos seus derivativos. Com patrimônio líquido de R$ 400 milhões, acumulava no ano até o dia 19 rentabilidade de 8,08%, contra 7,23% do CDI. Já o Neo Long Short, aberto para captação em novembro de 2004, adota estratégias de arbitragem no mercado de ações e tem baixa correlação com a Bolsa, Com volume de R$ 250 milhões, o fundo está com um retorno de 7,89% no ano. O fundo macro, segundo Cabral, adota duas estratégias direcionais, uma que busca ganhos em operações de curto prazo, e outra que olha os movimentos de mais longo prazo. Para lançar o produto, a Neo reforçou sua estrutura. Passou a contar com a consultoria do economista Márcio Garcia e contratou mais um economista. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Alessandra Bellotto)

Tuesday, June 20, 2006

Polo

Foi publicada hoje a posição consolidada dos fundos Polo Norte e Polo FIA. É interessante notar como há uma tendência de redução da exposição líquida (ativos - passivos) dos dois fundos. No Polo Norte a exposição líquida saiu de 12,3% em Março para 8,5% em Junho. No Polo FIA, a exposição líquida caiu de 25,6% em Março para 21,8% em Junho.

Wednesday, June 14, 2006

Nitor

Saiu hoje uma matéria no Valor Econômico sobre a entrada de Reinaldo Le Grazie (ex-Lloyds Bank) parea reforçar a equipe na área macroeconômica. A Nitor está lançando o Total 30, que além de ações (especialidade da casa) também terá estratégias em juros e câmbio.
Performances de Junho

As performances neste começo de mês têm sido bastante diversificadas. A Quest decidiu reduzir a posição em Bolsa e isso parece que está beneficiando a sua rentabilidade. Os fundos da GP, por outro lado, estão rodando abaixo do CDI (Petrópolis e Araras). A Gap também (Multiportfólio = 0,29%, Hedge = 0,38% e Long Short = 0,24%). Na Fides, o Long Short Plus (0,79%) está melhor que o Long Short (0,40%). O Principia Hedge Plus está acima do CDI (0,55%), mas todos os fundos da ARX estão com rentabilidade abaixo do CDI. Os fundos da Fator estão tendo uma recuperação, depois de alguns meses de decepção (Arbitragem = 0,56%). O Pátria Hedge parece ter encontrado o seu caminho, em um mercado bastante turbulento e está rendendo 0,71%. O JGP está baixo do CDI (0,27%) e o Claritas continua sofrendo, com seus fundos apresentando rentabilidade negativa (Hedge = -0,27%, Hedge 30 = -0,28% e Long Short = -0,45%). As performances referem-se a quotas até o dia 13/06, sendo que o CDI usado para comparação é de 0,51%.

Monday, June 12, 2006

Outra mudança no Gávea

Depois da saída de Luiz Fernando Figueiredo, agora é a vez de Ilan Goldfajn. Veja a abaixo a nota que saiu no Valor Econômico do dia 9 de Junho.

Ilan Goldfajn deixa a Gávea

Sócio do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, na Gávea Investimento, o ex-diretor do BC Ilan Goldfajn, comunicou ontem sua saída da administradora de fundos. Ambos tiveram o maior cuidado de anunciar a separação, que, conforme garantiram, foi totalmente amigável. Fraga explicou que mesmo antes de Ilan entrar na sociedade, eles discutiram a possibilidade de que essa fosse uma experiência temporária, já que tanto um quanto o outro têm experiências similares e são do tipo que "põe a mão na massa" e esse perfil poderia acabar prejudicando o trabalho. "Mas na época decidimos que valeria a pena ainda que fosse por um tempo". Antes que ocorresse algum tipo de tensão, eles decidiram que já era a hora da separação, "o que ocorreu de forma aberta e leal", disse Fraga.
Ilan assegurou que "não chegou a haver qualquer tipo de tensão porque o cuidado foi primeiro com a amizade". Os dois prosseguirão dividindo o curso de macroeconomia III do mestrado da PUC-Rio. Ilan ainda não definiu o que vai fazer e diz que está avaliando as opções. Por enquanto, continuará com suas atividades acadêmicas e com a diretoria da Casa das Garças.
É o segundo ex-diretor do Banco Central que deixa a Gávea. No ano passado, Luiz Fernando Figueiredo saiu e fundou sua própria administradora, a Mauá Investimentos. "É a vida", comentou o ex-presidente do BC. "Não tenho dúvida de que do mesmo jeito que Luiz Fernando se deu muito bem, desenvolveu um trabalho de primeira, o Ilan vai fazer a mesma coisa. Eu não tenho vocação para 'chairman'. Gosto de arregaçar as mangas e fazer as coisas. O Ilan também. E é isso".

Thursday, June 01, 2006

Maio, ainda

O stress de Maio confirmou que tanto o Direcional quanto o Hedging-Griffo Verde são fundos que tradicionalmente vão bem quando o mercado vai mal, como se pode ver no ranking do post anterior. O Direcional foi o único fundo Macro que conseguiu ficar acima do CDI no mês. A decepção ficou por conta do JGP Hedge, que caiu -1,16%.
Stress

O mês de Maio foi bastante nervoso para o mercado devido ao comunicado do Fed após a decisão de aumentar a taxa de juros americana em 0,25%. Os mercados externos entenderam que as taxas de juros poderiam subir acima do esperado, levando a Bolsa a cair e os Treasuries a subir. Os mercados aqui sentiram muito com a saída dos estrangeiros pois houve um "flight to quality". Não só a Bolsa sentiu (caiu 9,50%), mas ta,bém o Real (desvalorizou-se em 10%) e os juros dos títulos em IPCA, que subiram.

Fundos com pior desempenho no mês de Maio foram:

- Claritas Hedge30: -8,11%
- Claritas Hedge: -7,74%
- Hedging Griffo Strategy Long Short: -3,40%
- Claritas Long Short: -1,71%
- Polo Norte: -1,45%
- JGP Hedge: -1,16%
- Mauá Hedge: -1,16%
- Fidúcia Emerald: -1,09%
- Quest I: -1,09%
- ARX Plus: -0,76%
- Fides Long Short: -0,44%
- ARX Extra: -0,26%
- Fator Arbitragem: -0,10%

Fundos com desempenho positivo, mas abaixo do CDI:

- IP Equities Hedge: 0,21%
- Gap Multiportfolio: 0,24%
- Pactual Hedge: 0,60%
- Schroders Multistrategy: 0,96%
- Pactual High Yield: 0,99%
- CSAM Portfolio Plus: 1,05%
- Fama Sniper: 1,10%
- Hedging-Griffo Verde: 1,27%

Fundos com melhor desempenho (acima do CDI):

- Neo Multiestrategy: 1,34%
- Pátria Hedge: 1,42%
- ARX Long Short: 1,44%
- CSAM Long Short: 2,14%
- Neo Long Short: 2,27%
- Gap Long Short: 2,31%
- Direcional: 4,25%

Thursday, March 16, 2006

Bear Fund

Matéria do jornal Valor Econômico de 16 de Março.

Saga cria fundo contrário ao Ibovespa
Por Catherine Vieira Do Rio

A gestora independente Saga Investimentos montou um fundo com estratégia bastante diferente dos demais do mercado brasileiro. O Saga Bear tem como objetivo constante ter uma correlação exatamente oposta à do índice Bovespa, ou seja, toda vez que o índice cai o fundo sobe e vice-versa. A idéia parece estranha à primeira vista, principalmente num momento após sucessivas altas. Mas o objetivo é tornar o fundo uma proteção, especialmente para carteiras de ações que atuam só comprando papéis e que temem sofrer perdas fortes caso a bolsa tenha uma virada repentina e passe a viver momentos de sobe-e-desce acentuados.
"Em janeiro quando a bolsa chacoalhou, percebemos que boa parte do mercado estava atuando na mesma ponta e decidimos ter um mecanismo de proteção (hedge) maior, além dos que estão disponíveis no mercado", diz Carlos de Carvalho Jr., sócio da Saga. Segundo ele, a estrutura do fundo é montada com lastro em títulos públicos, mas usa operações de derivativos para ficar toda vendida em Índice Bovespa (Ibovespa). "Com isso, o objetivo é fazer com que, quando o índice subir x, por exemplo, o fundo caia x menos o CDI e se o Ibovespa cair x ele suba x mais o CDI ", explica o gestor.
O objetivo é ter uma carteira que funcione somente como a ponta vendida (short) de um fundo do tipo comprado/vendido (long/short). Assim, um fundo de ações comum, que é comprado em bolsa, se combinado com o Saga Bear dentro de um fundo de fundos ou de uma carteira administrada, por exemplo, pode formar uma estratégia comprada/vendida, com o objetivo de neutralizar efeitos de eventuais turbulências na bolsa.
"Há fundos de cotas que não podem fazer determinadas operações, como fazem os fundos de long and short", diz Carvalho. "Então decidimos ter essa experiência do Bear, pois ele pode servir como instrumento para esses fundos de cotas e também como proteção para o nosso próprio fundo."
Ele diz, no entanto, que num mercado de baixa ou com mais instabilidade, o fundo pode acabar se tornando não só uma opção para compor proteção, mas também como investimento especulativo para quem projetar um cenário mais difícil para o mercado de ações.
A administração e a custódia do Saga Bear Hedge ficam a cargo do Pactual e o patrimônio está em cerca de R$ 1 milhão, só com recursos próprios da Saga. A taxa de administração é de 1,5% ao ano e não é cobrada taxa de performance por se tratar de um fundo passivo. O patrimônio total gerido pela Saga é de cerca de R$ 35 milhões.

Monday, March 13, 2006

BankBoston investe no Private Banking

BankBoston quer ampliar private no Brasil
Por Angelo Pavini De São Paulo

O BankBoston quer aumentar sua presença no milionário segmento de alta renda no Brasil e, para isso, reforçou a estrutura de seu private bank local. A estratégia incluiu a contratação no fim do ano passado de Dilson Oliveira, executivo com mais de dez anos de experiência no segmento e passagens pelo Lloyds Bank e pela presidência do Itaú Luxemburgo. Oliveira vai comandar um processo de ampliação do foco do private do BankBoston para além da gestão de recursos, abrangendo as várias necessidades do cliente.
Além disso, o banco vai dobrar o valor mínimo de ativos para a entrada de novos clientes, de US$ 1 milhão (R$ 2,150 milhões) para US$ 2 milhões (R$ 4,3 milhões). "Não vamos expulsar quem tem valores menores, mas vamos buscar os novos nessa faixa maior", diz. A faixa de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões responde por 25% do total de clientes hoje do BankBoston Private. O objetivo de Oliveira é, em três anos, dobrar o total sob administração do private, de R$ 4 bilhões para R$ 8 bilhões.
O ajuste da faixa de renda acompanha uma tendência do mercado, que é diferenciar o cliente private daqueles do varejo de alta renda. O varejo seletivo ganhou importância nos bancos e já conta hoje com a maioria dos produtos antes oferecidos pelos private banks há dez anos, diz Oliveira. Por isso os privates têm de buscar maior sofisticação, o que só é possível com clientes de maior porte. Alguns bancos já começaram esse ajuste, mas muitos ainda aceitam investidores com R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.
A venda de empresas é um dos fatores que deve aumentar os volumes dos private banks no Brasil, diz Oliveira. Ele acredita em uma segunda onda de compras de empresa familiares brasileiras - a primeira foi na época das privatizações, no segundo governo Fernando Henrique Cardoso -, com o país voltando ao radar dos investidores externos. "O Brasil é um dos países com o maior número de empresas familiares e isso cria oportunidades, não apenas para venda, mas para parcerias ou para projetos que usem os serviços do banco e do private bank." Ele dá o exemplo da Parmalat, que chegou a ter 34 fábricas no Brasil, todas adquiridas de pequenos grupos familiares.
Essa segunda onda de fusões deve fazer com que o mercado brasileiro de private cresça mais que os 7% ao ano da média mundial. "Podemos crescer a uma média de 15%, 16% ao ano, nos próximos três anos", acredita Oliveira.
Esse movimento de vendas de empresas e ofertas públicas vai colocar dinheiro novo no mercado de private. As ofertas públicas de ações do ano passado e deste ano já são um sinal disso. "Para criar valor para sua empresa, o acionista precisa abrir mão de parte do capital e aí fica com um volume de recursos para aplicar", diz. "A proposta é não ficar no rouba-monte, mas aumentar o monte geral", diz.
Oliveira chama a atenção também para o fato de que hoje os privates brasileiros estão muito concentrados na gestão de ativos financeiros. "Isso é o coração do serviço, mas com o modelo de arquitetura aberta, todos têm acesso aos mesmos produtos e é difícil se diferenciar", afirma. Com a gestão tornando-se uma commodity, o diferencial fica apenas na taxa de administração, o que transforma a disputa pelos clientes numa guerra de preços.
Na busca pela diferenciação, os privates precisam mudar a visão do banco em relação ao cliente, afirma Oliveira. "Precisamos ter uma visão holística do cliente, ou seja, de todas suas necessidades, não só de investimentos, mas com relação à empresa, à família, e a um grande número de necessidades do lado legal, tributário, societário, de sucessões, que demandam a orientação de um especialista", afirma.
Hoje o BankBoston já tem uma estrutura para prestar grande número de serviços, diretamente no private ou na estrutura de "wealth management" (gestão de patrimônio). O cliente tem um estrategista dedicado, o economista Odair Abate. Na área tributária, o banco tem a advogada tributarista Natália Zimmermann. "Isso faz diferença em relação a alguns privates que usam o economista do banco ou apenas indicam um escritório de advocacia", diz.
Ele lembra do caso dos bancos suíços, que perderam espaço ao dar atenção somente à proteção e gestão das aplicações financeiras, enquanto os bancos americanos partiam para oferecer alternativas para criar valor e aumentar o patrimônio dos clientes. "Por isso, o private precisa ter essa estrutura mais ampla de atendimento", diz.
Nesse ponto, o BankBoston quer usar seus diferenciais, como um forte banco de investimentos que pode prestar assessoria, da gestão à venda de uma empresa, com uma oferta pública que valorize o patrimônio do investidor e torne viável a sucessão ou a profissionalização da empresa. "Podemos ainda servir de ponte para o empresário que está querendo vender a empresa com outros clientes nossos que estariam interessados em comprá-la", diz.
A estratégia por trás disso é que, ao prestar essa ajuda ao cliente, ele provavelmente deixará uma parcela dos recursos aplicados no private do banco.
Oliveira critica também o uso indiscriminado do termo wealth management pelo mercado. "Muitos bancos estão levando para a rede o conceito de diversificação, ou asset alocation, e chamando isso de wealth management, o que não é correto." O processo é semelhante ao que aconteceu com o conceito de private bank nos anos 90, quando desembarcou no Brasil. Clientes de US$ 100 mil já eram considerados private. "Isso acabou por prejudicar a imagem do serviço, uma vez que você não consegue manter um padrão de qualidade diferenciado com essa massificação", diz Oliveira.
O BankBoston quer também usar seu diferencial em relação aos privates de outros bancos estrangeiros que é a firme presença no mercado brasileiro, o conhecimento desse mercado e o acesso aos empresários brasileiros.
Hedging - Griffo

Matéria de 13 de Março do Valor Econômico.

Hedging-Griffo abre fundo que seguirá o legendário Verde
Mara Luquet

Hoje, o fundo HG Verde, da Hedging-Griffo, um dos mais antigos e bem sucedidos "hedge funds" brasileiros, abre para captação. Na verdade, trata-se do HG Verde 90, uma carteira que replicará a original, mas os resgates serão feitos em D+90, ou seja, três meses depois do pedido.
Desde 2002, o Verde não aceitava novas aplicações. Na ocasião, o sócio da Hedging-Griffo Luis Stuhlberger explicou que o mercado brasileiro não tinha liquidez e ativos suficientes para comportar fundos hedge com patrimônios muito grandes. "Mas o Brasil melhorou, o volume da bolsa dobrou e aumentou a liquidez das opções", diz ele. Assim, foi possível criar mais uma carteira dentro da família Verde, que hoje já soma R$ 4 bilhões em patrimônio.
De qualquer forma, o espaço para crescimento é limitado. Assim, Stuhlberger explica que o fundo ficará aberto até o dia 21 e apenas para uma captação limitada a R$ 300 milhões. Deste volume, R$ 100 milhões serão destinados aos parceiros da Griffo que distribuem o Verde e os outros R$ 200 milhões para os clientes da corretora. Se a demanda superar essa tranche, haverá um rateio.
O Verde é um caso de sucesso, com ganho acumulado de 2.130% desde seu início, há pouco mais de nove anos. No mesmo período, o ganho do CDI foi de 473,39%. O fundo teve início em 1997, num momento em que gestores independentes começavam a aparecer no Brasil. No entanto, naquele mesmo ano, esse movimento foi freado pela crise devastadora que assolou os mercados emergentes entre o fim de 1997 e início de 1999. Poucos fundos de independentes conseguiram sobreviver.
O Verde atravessou o período com um desempenho espetacular. Não apenas sobreviveu como exibiu uma performance que construiu sua fama. A filosofia do seu gestor, que permanece até hoje, é: buscar oportunidades na contramão do mercado. Um exemplo pode ser visto este ano, em que a carteira acumula ganho de 9,04%, para um CDI de 2,58%.
Uma das razões desse ganho, Stuhlberger credita à operação com bônus do Banco do Brasil.
"Entre 1999 e 2004 fui colecionando os bônus do banco", conta Stuhlberger. Esses bônus foram emitidos quando as ações do Banco do Brasil valiam em mercado cerca de R$ 6 e os papéis traziam um preço de subscrição de R$ 9. Ou seja, quem pagaria mais para comprar ações que em mercado valiam bem menos? Stuhlberger pagou. Ele comprou os bônus a R$ 2. Agora, valem R$ 27. E as ações do BB eram negociadas na sexta-feira a R$ 56,19.
O Verde chamou a atenção do mercado pela primeira vez em outubro de 1997. O fundo ainda não tinha sequer completado seu primeiro ano de vida e experimentou naquele mês um ganho de 5%. Mas o que mais despertou o interesse do mercado foi que essa performance excepcional ocorreu num momento em que a maior parte das carteiras sofria horrores com o auge da crise iniciada na Tailândia.
A operação que gerou tal ganho foi no mercado de juros e começou a ser montada no dia 24 daquele mês. "Lembro perfeitamente porque era o dia do meu aniversário", conta Stuhlberger. Durante um almoço com os sócios, no restaurante Charlô, em São Paulo, ele conta que passava por telefone as ordens de compra para o pessoal da mesa de operações na Hedging-Griffo.
Stuhlberger montou a operação com contratos de derivativos de juros que simulavam um financiamento. Ele tomou dinheiro a 19% ao ano. Ocorre que, quatro dias depois, o governo, por conta da crise, puxou a taxa de juro básica da economia para 40%. Ou seja, o Verde tinha um dinheiro extremamente barato que passara a valer muito no mercado e ele poderia emprestar a taxas bem mais altas.
Stuhlberger tem muitas outras histórias para contar. Em agosto de 2002, por exemplo, o fundo chegou a perder 2,17%. Ele conta que a carteira tinha um "hedge" com contratos de câmbio que não funcionou naquele momento, quando o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,4 no mercado à vista. "Não tinha muito o que fazer porque eu não queria vender as ações, então era só esperar", conta.
Mas o mais importante, diz, é que, durante esse tempo, ele construiu uma relação de confiança com os cotistas que o permite manter a calma mesmo em momentos de adversidades.