Básico
Algumas características básicas de hedge funds podem ser encontradas aqui.
Thursday, June 29, 2006
Monday, June 26, 2006
Private Equity
Artigo sobre fundos de venture capital que saiu hoje (26/06) no Valor Econômico.
Fundos iniciam novo ciclo e preparam captação de R$ 5 bi
Catherine Vieira e Altamiro Silva Júnior
26/06/2006
Os fundos de investimentos em participações (FIPs), também conhecidos como de "private equity" estão começando um novo ciclo de investimentos. Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já foram informados esse ano a criação de pelo menos dez fundos, que somam mais de R$ 5 bilhões em patrimônio, incluindo os que obtiveram dispensa de registro. Entre as novas carteiras, está o fundo Logística Brasil, de R$ 500 milhões, e o AG Angra Infra-estrutura, de R$ 750 milhões. Os números deste ano superam, de longe, os de 2005, quando foram registrados fundos que somavam R$ 2,1 bilhões. Em 2004, foram R$ 1,42 bilhão. A onda de aberturas de capital de empresas na bolsa - iniciada em 2004 e que ganhou força no ano passado e neste primeiro semestre - ajudou, com os sinais positivos dados aos investidores. Nesse período, das 20 ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) do mercado, os fundos de private equity participaram de 13, o que permitiu vislumbrar para os gestores a porta de saída para os investimentos. Entre elas, estão a administradora de cartões CardSystem, a fabricante de cartões e cheques, American BankNote e a empresa de softwares, Totvs. Esta última vai contar seu "case" em evento na quarta-feira, em São Paulo, promovida pela Associação Brasileira de Private Equity (ABVCap). O desinvestimento, aliás, era a grande preocupação dos participantes desse segmento quando iniciou o primeiro ciclo de investimento, no período de 1995 a 1998, avalia Marcus Regueira, o novo presidente da ABVCap. "É mais um ponto positivo para incentivar uma nova rodada de investimentos e a formação de novos fundos", diz. No Brasil, as estimativa são de que os fundos já levantaram mais de US$ 4 bilhões nos últimos 12 meses com ofertas de ações. Um levantamento da Emerging Markets Private Equity Association (Empea), com sede em Washington, mostra que isso é uma tendência entre todos os países emergentes. A entidade estima que os IPOs renderam US$ 21,2 bilhões para os private equity em 2005, o triplo do ano anterior. Além disso, os agentes do mercado conseguiram mais recentemente maturar a nova legislação. Apesar de existirem sob a forma de estruturas "offshore" ou como fundos de empresas emergentes ou mesmo fundos de ações tradicionais, os investimentos em "private equity" no Brasil só ganharam sua formatação própria por meio da Instrução 391, editada por Luiz Leonardo Cantidiano, então presidente da CVM, em julho de 2003. "Houve um período de discussão e preparação nos últimos anos, alguns fundos que estão sendo registrados já vinham sendo discutidos há algum tempo e agora se concretizam", lembra o próprio Cantidiano, agora à frente do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados. "Temos recebido consultas. Muitas empresas perceberam que os concorrentes estão indo a mercado ou a investidores de private equity e estão conseguindo captar e crescer, então isso gera um interesse maior por esses mecanismos", diz. O advogado Antonio Felix de Araujo Cintra, sócio do Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados concorda. Ele acredita inclusive, que a volatilidade e a turbulência que se instalaram no mercado desde maio, atrapalhando as novas ofertas de ações, favorecem, de certa forma, o novo ciclo dos fundos de participação. "Antes, o mercado estava tão propício, que as empresas, independentemente do perfil e de já ter passado antes por um investidor de private equity, já iam direto para o Novo Mercado abrir capital", disse Felix, lembrando que o ciclo mais eficiente para acessar o mercado de capitais é a empresa passar por uma transição preparatória num fundo de participações antes da listagem em bolsa. Neste contexto, a atual queda das bolsas vai ajudar os fundos de private equity, avalia Alvaro Gonçalves, sócio da gestora Stratus Banco de Negócios e ex-presidente da ABVCap. "As empresas vão ter consciência de que precisam se preparar mais e melhor para ir para ao mercado", afirma. E nada melhor que um fundo de private equity para ajudar nessa preparação. "O mercado vai ficar mais seletivo e só empresas bem preparadas terão sucesso", completa. Para Felix, do Tozzini, a turbulência recente não prejudica tanto os FIPs porque o investimento destes fundos é de longo prazo, de 5 a 10 anos. "O importante foi ter a confiança de que há janela de saída, as turbulências são normais, porque janelas de mercado abrem e fecham, o problema do Brasil é que ela fechava demais." De acordo com Luiz Eugênio Figueiredo, diretor da Rio Bravo, um novo ciclo realmente pode estar se desenhando no segmento no Brasil. Ele lembra que antes havia dúvidas sobre o momento do desinvestimento e também houve um período de adaptação à legislação. "Entre montar o fundo, iniciar a captação e adequar os regulamentos era um processo que em muitos casos durou mais de dois anos", observa Figueiredo. As coisas já começam a mudar, avalia. A superintendente de registros em exercício da CVM, Flávia Mouta Fernandes, diz que há mais FIPs chegando à autarquia e que cada vez menos são solicitadas modificações nos regulamentos das carteiras. Para Figueiredo, da Rio Bravo, a tendência é que daqui para frente o processo fique mais ágil. "Há mais disposição dos investidores e já se encontraram caminhos para fazer os regulamentos", diz o executivo, que está montando também um FIP na Rio Bravo voltado para a área de infra-estrutura e logística, que deve captar R$ 250 milhões.
Setores de biotecnologia, varejo e infra-estrutura devem atrair recursos
De São Paulo e do Rio
26/06/2006
A nova rodada de investimentos dos fundos de private equity será mais diversificada que a primeira, avalia Álvaro Gonçalves, sócio do Stratus Banco de Negócios e conselheiro da Associação Brasileira de Private Equity (ABVCap). "O ciclo anterior ficou muito concentrado em internet e privatizações", diz. Para este novo ciclo, setores como biotecnologia e varejo, além do agronegócio e infraestrutura devem ganhar mais atenção dos gestores que avaliam oportunidades de investimentos. A estimativa é que a infra-estrutura (incluindo a área de logística) fique com a maior parte dos aportes. O Stratus, por exemplo, está lançando um fundo só para o setor de biotecnologia. No agronegócio, a gigante AIG Capital, comprou recentemente uma participação no frigorífico gaúcho Mercosul.
Outra preocupação do setor é mostrar boas empresas brasileiras para os investidores estrangeiros. A ABVCap fará em setembro apresentações para grandes investidores dos Estados Unidos para mostrar oportunidades de investimento no Brasil. Segundo Marcus Regueira, o presidente da ABVCap, apesar do crescimento pífio do PIB brasileiro, há setores da economia e regiões do país com desempenho muito melhor e que são desconhecidos dos estrangeiros. Entre eles, ele cita o setor exportador, tecnológico e o varejo. "Temos setores com crescimento semelhante a China e Índia", afirma. As apresentações nos EUA estão orçadas em R$ 1,8 milhão, dos quais cerca de 40% virão do governo federal. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também está aprimorando suas estatísticas para o setor. A partir do fim deste mês, os FIPs informados à CVM passam a ter todos os dados consolidados e publicados no site da autarquia. Com isso, será possível saber qual o montante total que está hoje alocado nesses fundos. Por enquanto, já se pode ver no site da CVM que há 33 fundos em operação, mas os valores totais ainda não estão consolidados. "Agora, os gestores estão começando a enviar essas informações periódicas e acredito que até o fim do mês isso já estará consolidado e disponível", disse Flavia Fernandes, superintendente de registro em exercício. (ASJ e CV)
Artigo sobre fundos de venture capital que saiu hoje (26/06) no Valor Econômico.
Fundos iniciam novo ciclo e preparam captação de R$ 5 bi
Catherine Vieira e Altamiro Silva Júnior
26/06/2006
Os fundos de investimentos em participações (FIPs), também conhecidos como de "private equity" estão começando um novo ciclo de investimentos. Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já foram informados esse ano a criação de pelo menos dez fundos, que somam mais de R$ 5 bilhões em patrimônio, incluindo os que obtiveram dispensa de registro. Entre as novas carteiras, está o fundo Logística Brasil, de R$ 500 milhões, e o AG Angra Infra-estrutura, de R$ 750 milhões. Os números deste ano superam, de longe, os de 2005, quando foram registrados fundos que somavam R$ 2,1 bilhões. Em 2004, foram R$ 1,42 bilhão. A onda de aberturas de capital de empresas na bolsa - iniciada em 2004 e que ganhou força no ano passado e neste primeiro semestre - ajudou, com os sinais positivos dados aos investidores. Nesse período, das 20 ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) do mercado, os fundos de private equity participaram de 13, o que permitiu vislumbrar para os gestores a porta de saída para os investimentos. Entre elas, estão a administradora de cartões CardSystem, a fabricante de cartões e cheques, American BankNote e a empresa de softwares, Totvs. Esta última vai contar seu "case" em evento na quarta-feira, em São Paulo, promovida pela Associação Brasileira de Private Equity (ABVCap). O desinvestimento, aliás, era a grande preocupação dos participantes desse segmento quando iniciou o primeiro ciclo de investimento, no período de 1995 a 1998, avalia Marcus Regueira, o novo presidente da ABVCap. "É mais um ponto positivo para incentivar uma nova rodada de investimentos e a formação de novos fundos", diz. No Brasil, as estimativa são de que os fundos já levantaram mais de US$ 4 bilhões nos últimos 12 meses com ofertas de ações. Um levantamento da Emerging Markets Private Equity Association (Empea), com sede em Washington, mostra que isso é uma tendência entre todos os países emergentes. A entidade estima que os IPOs renderam US$ 21,2 bilhões para os private equity em 2005, o triplo do ano anterior. Além disso, os agentes do mercado conseguiram mais recentemente maturar a nova legislação. Apesar de existirem sob a forma de estruturas "offshore" ou como fundos de empresas emergentes ou mesmo fundos de ações tradicionais, os investimentos em "private equity" no Brasil só ganharam sua formatação própria por meio da Instrução 391, editada por Luiz Leonardo Cantidiano, então presidente da CVM, em julho de 2003. "Houve um período de discussão e preparação nos últimos anos, alguns fundos que estão sendo registrados já vinham sendo discutidos há algum tempo e agora se concretizam", lembra o próprio Cantidiano, agora à frente do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados. "Temos recebido consultas. Muitas empresas perceberam que os concorrentes estão indo a mercado ou a investidores de private equity e estão conseguindo captar e crescer, então isso gera um interesse maior por esses mecanismos", diz. O advogado Antonio Felix de Araujo Cintra, sócio do Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados concorda. Ele acredita inclusive, que a volatilidade e a turbulência que se instalaram no mercado desde maio, atrapalhando as novas ofertas de ações, favorecem, de certa forma, o novo ciclo dos fundos de participação. "Antes, o mercado estava tão propício, que as empresas, independentemente do perfil e de já ter passado antes por um investidor de private equity, já iam direto para o Novo Mercado abrir capital", disse Felix, lembrando que o ciclo mais eficiente para acessar o mercado de capitais é a empresa passar por uma transição preparatória num fundo de participações antes da listagem em bolsa. Neste contexto, a atual queda das bolsas vai ajudar os fundos de private equity, avalia Alvaro Gonçalves, sócio da gestora Stratus Banco de Negócios e ex-presidente da ABVCap. "As empresas vão ter consciência de que precisam se preparar mais e melhor para ir para ao mercado", afirma. E nada melhor que um fundo de private equity para ajudar nessa preparação. "O mercado vai ficar mais seletivo e só empresas bem preparadas terão sucesso", completa. Para Felix, do Tozzini, a turbulência recente não prejudica tanto os FIPs porque o investimento destes fundos é de longo prazo, de 5 a 10 anos. "O importante foi ter a confiança de que há janela de saída, as turbulências são normais, porque janelas de mercado abrem e fecham, o problema do Brasil é que ela fechava demais." De acordo com Luiz Eugênio Figueiredo, diretor da Rio Bravo, um novo ciclo realmente pode estar se desenhando no segmento no Brasil. Ele lembra que antes havia dúvidas sobre o momento do desinvestimento e também houve um período de adaptação à legislação. "Entre montar o fundo, iniciar a captação e adequar os regulamentos era um processo que em muitos casos durou mais de dois anos", observa Figueiredo. As coisas já começam a mudar, avalia. A superintendente de registros em exercício da CVM, Flávia Mouta Fernandes, diz que há mais FIPs chegando à autarquia e que cada vez menos são solicitadas modificações nos regulamentos das carteiras. Para Figueiredo, da Rio Bravo, a tendência é que daqui para frente o processo fique mais ágil. "Há mais disposição dos investidores e já se encontraram caminhos para fazer os regulamentos", diz o executivo, que está montando também um FIP na Rio Bravo voltado para a área de infra-estrutura e logística, que deve captar R$ 250 milhões.
Setores de biotecnologia, varejo e infra-estrutura devem atrair recursos
De São Paulo e do Rio
26/06/2006
A nova rodada de investimentos dos fundos de private equity será mais diversificada que a primeira, avalia Álvaro Gonçalves, sócio do Stratus Banco de Negócios e conselheiro da Associação Brasileira de Private Equity (ABVCap). "O ciclo anterior ficou muito concentrado em internet e privatizações", diz. Para este novo ciclo, setores como biotecnologia e varejo, além do agronegócio e infraestrutura devem ganhar mais atenção dos gestores que avaliam oportunidades de investimentos. A estimativa é que a infra-estrutura (incluindo a área de logística) fique com a maior parte dos aportes. O Stratus, por exemplo, está lançando um fundo só para o setor de biotecnologia. No agronegócio, a gigante AIG Capital, comprou recentemente uma participação no frigorífico gaúcho Mercosul.
Outra preocupação do setor é mostrar boas empresas brasileiras para os investidores estrangeiros. A ABVCap fará em setembro apresentações para grandes investidores dos Estados Unidos para mostrar oportunidades de investimento no Brasil. Segundo Marcus Regueira, o presidente da ABVCap, apesar do crescimento pífio do PIB brasileiro, há setores da economia e regiões do país com desempenho muito melhor e que são desconhecidos dos estrangeiros. Entre eles, ele cita o setor exportador, tecnológico e o varejo. "Temos setores com crescimento semelhante a China e Índia", afirma. As apresentações nos EUA estão orçadas em R$ 1,8 milhão, dos quais cerca de 40% virão do governo federal. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também está aprimorando suas estatísticas para o setor. A partir do fim deste mês, os FIPs informados à CVM passam a ter todos os dados consolidados e publicados no site da autarquia. Com isso, será possível saber qual o montante total que está hoje alocado nesses fundos. Por enquanto, já se pode ver no site da CVM que há 33 fundos em operação, mas os valores totais ainda não estão consolidados. "Agora, os gestores estão começando a enviar essas informações periódicas e acredito que até o fim do mês isso já estará consolidado e disponível", disse Flavia Fernandes, superintendente de registro em exercício. (ASJ e CV)
Wednesday, June 21, 2006
Neo
Notícia que saiu hoje na Gazeta Mercantil sobre um novo fundo da Neo.
Neo Investimentos lança multimercado
São Paulo, 21 de Junho de 2006 - A Neo Investimentos abre para captação um fundo multimercado com estratégia macro, ou seja, que busca antecipar movimentos do mercado, nos segmentos de juros, câmbio, Bolsa, títulos de dívida externa, entre outros. Com aplicação mínima de R$ 25 mil, a carteira, que já reúne patrimônio de R$ 3,5 milhões, tem como meta uma rentabilidade de 140% a 150% do CDI (o juro interbancário). Marcelo Cabral, sócio da gestora independente, reconhece que o momento é ruim para lançar uma carteira direcional - a volatilidade dos ativos dificulta projeções de cenários -, mas afirma que o objetivo da Neo é ampliar sua linha de produtos e firmar-se também como uma casa de gestão com enfoque macroeconômico. Esse é o terceiro fundo da Neo, criada em julho de 2003. O Neo Multi Estratégia, criado em agosto do mesmo ano, é um fundo que busca distorções de preços em operações de arbitragem nos mercados locais de juros, câmbio e Bolsa, tanto no mercado à vista quanto nos seus derivativos. Com patrimônio líquido de R$ 400 milhões, acumulava no ano até o dia 19 rentabilidade de 8,08%, contra 7,23% do CDI. Já o Neo Long Short, aberto para captação em novembro de 2004, adota estratégias de arbitragem no mercado de ações e tem baixa correlação com a Bolsa, Com volume de R$ 250 milhões, o fundo está com um retorno de 7,89% no ano. O fundo macro, segundo Cabral, adota duas estratégias direcionais, uma que busca ganhos em operações de curto prazo, e outra que olha os movimentos de mais longo prazo. Para lançar o produto, a Neo reforçou sua estrutura. Passou a contar com a consultoria do economista Márcio Garcia e contratou mais um economista. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Alessandra Bellotto)
Notícia que saiu hoje na Gazeta Mercantil sobre um novo fundo da Neo.
Neo Investimentos lança multimercado
São Paulo, 21 de Junho de 2006 - A Neo Investimentos abre para captação um fundo multimercado com estratégia macro, ou seja, que busca antecipar movimentos do mercado, nos segmentos de juros, câmbio, Bolsa, títulos de dívida externa, entre outros. Com aplicação mínima de R$ 25 mil, a carteira, que já reúne patrimônio de R$ 3,5 milhões, tem como meta uma rentabilidade de 140% a 150% do CDI (o juro interbancário). Marcelo Cabral, sócio da gestora independente, reconhece que o momento é ruim para lançar uma carteira direcional - a volatilidade dos ativos dificulta projeções de cenários -, mas afirma que o objetivo da Neo é ampliar sua linha de produtos e firmar-se também como uma casa de gestão com enfoque macroeconômico. Esse é o terceiro fundo da Neo, criada em julho de 2003. O Neo Multi Estratégia, criado em agosto do mesmo ano, é um fundo que busca distorções de preços em operações de arbitragem nos mercados locais de juros, câmbio e Bolsa, tanto no mercado à vista quanto nos seus derivativos. Com patrimônio líquido de R$ 400 milhões, acumulava no ano até o dia 19 rentabilidade de 8,08%, contra 7,23% do CDI. Já o Neo Long Short, aberto para captação em novembro de 2004, adota estratégias de arbitragem no mercado de ações e tem baixa correlação com a Bolsa, Com volume de R$ 250 milhões, o fundo está com um retorno de 7,89% no ano. O fundo macro, segundo Cabral, adota duas estratégias direcionais, uma que busca ganhos em operações de curto prazo, e outra que olha os movimentos de mais longo prazo. Para lançar o produto, a Neo reforçou sua estrutura. Passou a contar com a consultoria do economista Márcio Garcia e contratou mais um economista. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Alessandra Bellotto)
Tuesday, June 20, 2006
Polo
Foi publicada hoje a posição consolidada dos fundos Polo Norte e Polo FIA. É interessante notar como há uma tendência de redução da exposição líquida (ativos - passivos) dos dois fundos. No Polo Norte a exposição líquida saiu de 12,3% em Março para 8,5% em Junho. No Polo FIA, a exposição líquida caiu de 25,6% em Março para 21,8% em Junho.
Foi publicada hoje a posição consolidada dos fundos Polo Norte e Polo FIA. É interessante notar como há uma tendência de redução da exposição líquida (ativos - passivos) dos dois fundos. No Polo Norte a exposição líquida saiu de 12,3% em Março para 8,5% em Junho. No Polo FIA, a exposição líquida caiu de 25,6% em Março para 21,8% em Junho.
Wednesday, June 14, 2006
Nitor
Saiu hoje uma matéria no Valor Econômico sobre a entrada de Reinaldo Le Grazie (ex-Lloyds Bank) parea reforçar a equipe na área macroeconômica. A Nitor está lançando o Total 30, que além de ações (especialidade da casa) também terá estratégias em juros e câmbio.
Saiu hoje uma matéria no Valor Econômico sobre a entrada de Reinaldo Le Grazie (ex-Lloyds Bank) parea reforçar a equipe na área macroeconômica. A Nitor está lançando o Total 30, que além de ações (especialidade da casa) também terá estratégias em juros e câmbio.
Performances de Junho
As performances neste começo de mês têm sido bastante diversificadas. A Quest decidiu reduzir a posição em Bolsa e isso parece que está beneficiando a sua rentabilidade. Os fundos da GP, por outro lado, estão rodando abaixo do CDI (Petrópolis e Araras). A Gap também (Multiportfólio = 0,29%, Hedge = 0,38% e Long Short = 0,24%). Na Fides, o Long Short Plus (0,79%) está melhor que o Long Short (0,40%). O Principia Hedge Plus está acima do CDI (0,55%), mas todos os fundos da ARX estão com rentabilidade abaixo do CDI. Os fundos da Fator estão tendo uma recuperação, depois de alguns meses de decepção (Arbitragem = 0,56%). O Pátria Hedge parece ter encontrado o seu caminho, em um mercado bastante turbulento e está rendendo 0,71%. O JGP está baixo do CDI (0,27%) e o Claritas continua sofrendo, com seus fundos apresentando rentabilidade negativa (Hedge = -0,27%, Hedge 30 = -0,28% e Long Short = -0,45%). As performances referem-se a quotas até o dia 13/06, sendo que o CDI usado para comparação é de 0,51%.
As performances neste começo de mês têm sido bastante diversificadas. A Quest decidiu reduzir a posição em Bolsa e isso parece que está beneficiando a sua rentabilidade. Os fundos da GP, por outro lado, estão rodando abaixo do CDI (Petrópolis e Araras). A Gap também (Multiportfólio = 0,29%, Hedge = 0,38% e Long Short = 0,24%). Na Fides, o Long Short Plus (0,79%) está melhor que o Long Short (0,40%). O Principia Hedge Plus está acima do CDI (0,55%), mas todos os fundos da ARX estão com rentabilidade abaixo do CDI. Os fundos da Fator estão tendo uma recuperação, depois de alguns meses de decepção (Arbitragem = 0,56%). O Pátria Hedge parece ter encontrado o seu caminho, em um mercado bastante turbulento e está rendendo 0,71%. O JGP está baixo do CDI (0,27%) e o Claritas continua sofrendo, com seus fundos apresentando rentabilidade negativa (Hedge = -0,27%, Hedge 30 = -0,28% e Long Short = -0,45%). As performances referem-se a quotas até o dia 13/06, sendo que o CDI usado para comparação é de 0,51%.
Monday, June 12, 2006
Outra mudança no Gávea
Depois da saída de Luiz Fernando Figueiredo, agora é a vez de Ilan Goldfajn. Veja a abaixo a nota que saiu no Valor Econômico do dia 9 de Junho.
Ilan Goldfajn deixa a Gávea
Sócio do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, na Gávea Investimento, o ex-diretor do BC Ilan Goldfajn, comunicou ontem sua saída da administradora de fundos. Ambos tiveram o maior cuidado de anunciar a separação, que, conforme garantiram, foi totalmente amigável. Fraga explicou que mesmo antes de Ilan entrar na sociedade, eles discutiram a possibilidade de que essa fosse uma experiência temporária, já que tanto um quanto o outro têm experiências similares e são do tipo que "põe a mão na massa" e esse perfil poderia acabar prejudicando o trabalho. "Mas na época decidimos que valeria a pena ainda que fosse por um tempo". Antes que ocorresse algum tipo de tensão, eles decidiram que já era a hora da separação, "o que ocorreu de forma aberta e leal", disse Fraga.
Ilan assegurou que "não chegou a haver qualquer tipo de tensão porque o cuidado foi primeiro com a amizade". Os dois prosseguirão dividindo o curso de macroeconomia III do mestrado da PUC-Rio. Ilan ainda não definiu o que vai fazer e diz que está avaliando as opções. Por enquanto, continuará com suas atividades acadêmicas e com a diretoria da Casa das Garças.
É o segundo ex-diretor do Banco Central que deixa a Gávea. No ano passado, Luiz Fernando Figueiredo saiu e fundou sua própria administradora, a Mauá Investimentos. "É a vida", comentou o ex-presidente do BC. "Não tenho dúvida de que do mesmo jeito que Luiz Fernando se deu muito bem, desenvolveu um trabalho de primeira, o Ilan vai fazer a mesma coisa. Eu não tenho vocação para 'chairman'. Gosto de arregaçar as mangas e fazer as coisas. O Ilan também. E é isso".
Depois da saída de Luiz Fernando Figueiredo, agora é a vez de Ilan Goldfajn. Veja a abaixo a nota que saiu no Valor Econômico do dia 9 de Junho.
Ilan Goldfajn deixa a Gávea
Sócio do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, na Gávea Investimento, o ex-diretor do BC Ilan Goldfajn, comunicou ontem sua saída da administradora de fundos. Ambos tiveram o maior cuidado de anunciar a separação, que, conforme garantiram, foi totalmente amigável. Fraga explicou que mesmo antes de Ilan entrar na sociedade, eles discutiram a possibilidade de que essa fosse uma experiência temporária, já que tanto um quanto o outro têm experiências similares e são do tipo que "põe a mão na massa" e esse perfil poderia acabar prejudicando o trabalho. "Mas na época decidimos que valeria a pena ainda que fosse por um tempo". Antes que ocorresse algum tipo de tensão, eles decidiram que já era a hora da separação, "o que ocorreu de forma aberta e leal", disse Fraga.
Ilan assegurou que "não chegou a haver qualquer tipo de tensão porque o cuidado foi primeiro com a amizade". Os dois prosseguirão dividindo o curso de macroeconomia III do mestrado da PUC-Rio. Ilan ainda não definiu o que vai fazer e diz que está avaliando as opções. Por enquanto, continuará com suas atividades acadêmicas e com a diretoria da Casa das Garças.
É o segundo ex-diretor do Banco Central que deixa a Gávea. No ano passado, Luiz Fernando Figueiredo saiu e fundou sua própria administradora, a Mauá Investimentos. "É a vida", comentou o ex-presidente do BC. "Não tenho dúvida de que do mesmo jeito que Luiz Fernando se deu muito bem, desenvolveu um trabalho de primeira, o Ilan vai fazer a mesma coisa. Eu não tenho vocação para 'chairman'. Gosto de arregaçar as mangas e fazer as coisas. O Ilan também. E é isso".
Thursday, June 01, 2006
Maio, ainda
O stress de Maio confirmou que tanto o Direcional quanto o Hedging-Griffo Verde são fundos que tradicionalmente vão bem quando o mercado vai mal, como se pode ver no ranking do post anterior. O Direcional foi o único fundo Macro que conseguiu ficar acima do CDI no mês. A decepção ficou por conta do JGP Hedge, que caiu -1,16%.
O stress de Maio confirmou que tanto o Direcional quanto o Hedging-Griffo Verde são fundos que tradicionalmente vão bem quando o mercado vai mal, como se pode ver no ranking do post anterior. O Direcional foi o único fundo Macro que conseguiu ficar acima do CDI no mês. A decepção ficou por conta do JGP Hedge, que caiu -1,16%.
Stress
O mês de Maio foi bastante nervoso para o mercado devido ao comunicado do Fed após a decisão de aumentar a taxa de juros americana em 0,25%. Os mercados externos entenderam que as taxas de juros poderiam subir acima do esperado, levando a Bolsa a cair e os Treasuries a subir. Os mercados aqui sentiram muito com a saída dos estrangeiros pois houve um "flight to quality". Não só a Bolsa sentiu (caiu 9,50%), mas ta,bém o Real (desvalorizou-se em 10%) e os juros dos títulos em IPCA, que subiram.
Fundos com pior desempenho no mês de Maio foram:
- Claritas Hedge30: -8,11%
- Claritas Hedge: -7,74%
- Hedging Griffo Strategy Long Short: -3,40%
- Claritas Long Short: -1,71%
- Polo Norte: -1,45%
- JGP Hedge: -1,16%
- Mauá Hedge: -1,16%
- Fidúcia Emerald: -1,09%
- Quest I: -1,09%
- ARX Plus: -0,76%
- Fides Long Short: -0,44%
- ARX Extra: -0,26%
- Fator Arbitragem: -0,10%
Fundos com desempenho positivo, mas abaixo do CDI:
- IP Equities Hedge: 0,21%
- Gap Multiportfolio: 0,24%
- Pactual Hedge: 0,60%
- Schroders Multistrategy: 0,96%
- Pactual High Yield: 0,99%
- CSAM Portfolio Plus: 1,05%
- Fama Sniper: 1,10%
- Hedging-Griffo Verde: 1,27%
Fundos com melhor desempenho (acima do CDI):
- Neo Multiestrategy: 1,34%
- Pátria Hedge: 1,42%
- ARX Long Short: 1,44%
- CSAM Long Short: 2,14%
- Neo Long Short: 2,27%
- Gap Long Short: 2,31%
- Direcional: 4,25%
O mês de Maio foi bastante nervoso para o mercado devido ao comunicado do Fed após a decisão de aumentar a taxa de juros americana em 0,25%. Os mercados externos entenderam que as taxas de juros poderiam subir acima do esperado, levando a Bolsa a cair e os Treasuries a subir. Os mercados aqui sentiram muito com a saída dos estrangeiros pois houve um "flight to quality". Não só a Bolsa sentiu (caiu 9,50%), mas ta,bém o Real (desvalorizou-se em 10%) e os juros dos títulos em IPCA, que subiram.
Fundos com pior desempenho no mês de Maio foram:
- Claritas Hedge30: -8,11%
- Claritas Hedge: -7,74%
- Hedging Griffo Strategy Long Short: -3,40%
- Claritas Long Short: -1,71%
- Polo Norte: -1,45%
- JGP Hedge: -1,16%
- Mauá Hedge: -1,16%
- Fidúcia Emerald: -1,09%
- Quest I: -1,09%
- ARX Plus: -0,76%
- Fides Long Short: -0,44%
- ARX Extra: -0,26%
- Fator Arbitragem: -0,10%
Fundos com desempenho positivo, mas abaixo do CDI:
- IP Equities Hedge: 0,21%
- Gap Multiportfolio: 0,24%
- Pactual Hedge: 0,60%
- Schroders Multistrategy: 0,96%
- Pactual High Yield: 0,99%
- CSAM Portfolio Plus: 1,05%
- Fama Sniper: 1,10%
- Hedging-Griffo Verde: 1,27%
Fundos com melhor desempenho (acima do CDI):
- Neo Multiestrategy: 1,34%
- Pátria Hedge: 1,42%
- ARX Long Short: 1,44%
- CSAM Long Short: 2,14%
- Neo Long Short: 2,27%
- Gap Long Short: 2,31%
- Direcional: 4,25%
Thursday, March 16, 2006
Bear Fund
Matéria do jornal Valor Econômico de 16 de Março.
Saga cria fundo contrário ao Ibovespa
Por Catherine Vieira Do Rio
A gestora independente Saga Investimentos montou um fundo com estratégia bastante diferente dos demais do mercado brasileiro. O Saga Bear tem como objetivo constante ter uma correlação exatamente oposta à do índice Bovespa, ou seja, toda vez que o índice cai o fundo sobe e vice-versa. A idéia parece estranha à primeira vista, principalmente num momento após sucessivas altas. Mas o objetivo é tornar o fundo uma proteção, especialmente para carteiras de ações que atuam só comprando papéis e que temem sofrer perdas fortes caso a bolsa tenha uma virada repentina e passe a viver momentos de sobe-e-desce acentuados.
"Em janeiro quando a bolsa chacoalhou, percebemos que boa parte do mercado estava atuando na mesma ponta e decidimos ter um mecanismo de proteção (hedge) maior, além dos que estão disponíveis no mercado", diz Carlos de Carvalho Jr., sócio da Saga. Segundo ele, a estrutura do fundo é montada com lastro em títulos públicos, mas usa operações de derivativos para ficar toda vendida em Índice Bovespa (Ibovespa). "Com isso, o objetivo é fazer com que, quando o índice subir x, por exemplo, o fundo caia x menos o CDI e se o Ibovespa cair x ele suba x mais o CDI ", explica o gestor.
O objetivo é ter uma carteira que funcione somente como a ponta vendida (short) de um fundo do tipo comprado/vendido (long/short). Assim, um fundo de ações comum, que é comprado em bolsa, se combinado com o Saga Bear dentro de um fundo de fundos ou de uma carteira administrada, por exemplo, pode formar uma estratégia comprada/vendida, com o objetivo de neutralizar efeitos de eventuais turbulências na bolsa.
"Há fundos de cotas que não podem fazer determinadas operações, como fazem os fundos de long and short", diz Carvalho. "Então decidimos ter essa experiência do Bear, pois ele pode servir como instrumento para esses fundos de cotas e também como proteção para o nosso próprio fundo."
Ele diz, no entanto, que num mercado de baixa ou com mais instabilidade, o fundo pode acabar se tornando não só uma opção para compor proteção, mas também como investimento especulativo para quem projetar um cenário mais difícil para o mercado de ações.
A administração e a custódia do Saga Bear Hedge ficam a cargo do Pactual e o patrimônio está em cerca de R$ 1 milhão, só com recursos próprios da Saga. A taxa de administração é de 1,5% ao ano e não é cobrada taxa de performance por se tratar de um fundo passivo. O patrimônio total gerido pela Saga é de cerca de R$ 35 milhões.
Matéria do jornal Valor Econômico de 16 de Março.
Saga cria fundo contrário ao Ibovespa
Por Catherine Vieira Do Rio
A gestora independente Saga Investimentos montou um fundo com estratégia bastante diferente dos demais do mercado brasileiro. O Saga Bear tem como objetivo constante ter uma correlação exatamente oposta à do índice Bovespa, ou seja, toda vez que o índice cai o fundo sobe e vice-versa. A idéia parece estranha à primeira vista, principalmente num momento após sucessivas altas. Mas o objetivo é tornar o fundo uma proteção, especialmente para carteiras de ações que atuam só comprando papéis e que temem sofrer perdas fortes caso a bolsa tenha uma virada repentina e passe a viver momentos de sobe-e-desce acentuados.
"Em janeiro quando a bolsa chacoalhou, percebemos que boa parte do mercado estava atuando na mesma ponta e decidimos ter um mecanismo de proteção (hedge) maior, além dos que estão disponíveis no mercado", diz Carlos de Carvalho Jr., sócio da Saga. Segundo ele, a estrutura do fundo é montada com lastro em títulos públicos, mas usa operações de derivativos para ficar toda vendida em Índice Bovespa (Ibovespa). "Com isso, o objetivo é fazer com que, quando o índice subir x, por exemplo, o fundo caia x menos o CDI e se o Ibovespa cair x ele suba x mais o CDI ", explica o gestor.
O objetivo é ter uma carteira que funcione somente como a ponta vendida (short) de um fundo do tipo comprado/vendido (long/short). Assim, um fundo de ações comum, que é comprado em bolsa, se combinado com o Saga Bear dentro de um fundo de fundos ou de uma carteira administrada, por exemplo, pode formar uma estratégia comprada/vendida, com o objetivo de neutralizar efeitos de eventuais turbulências na bolsa.
"Há fundos de cotas que não podem fazer determinadas operações, como fazem os fundos de long and short", diz Carvalho. "Então decidimos ter essa experiência do Bear, pois ele pode servir como instrumento para esses fundos de cotas e também como proteção para o nosso próprio fundo."
Ele diz, no entanto, que num mercado de baixa ou com mais instabilidade, o fundo pode acabar se tornando não só uma opção para compor proteção, mas também como investimento especulativo para quem projetar um cenário mais difícil para o mercado de ações.
A administração e a custódia do Saga Bear Hedge ficam a cargo do Pactual e o patrimônio está em cerca de R$ 1 milhão, só com recursos próprios da Saga. A taxa de administração é de 1,5% ao ano e não é cobrada taxa de performance por se tratar de um fundo passivo. O patrimônio total gerido pela Saga é de cerca de R$ 35 milhões.
Monday, March 13, 2006
BankBoston investe no Private Banking
BankBoston quer ampliar private no Brasil
Por Angelo Pavini De São Paulo
O BankBoston quer aumentar sua presença no milionário segmento de alta renda no Brasil e, para isso, reforçou a estrutura de seu private bank local. A estratégia incluiu a contratação no fim do ano passado de Dilson Oliveira, executivo com mais de dez anos de experiência no segmento e passagens pelo Lloyds Bank e pela presidência do Itaú Luxemburgo. Oliveira vai comandar um processo de ampliação do foco do private do BankBoston para além da gestão de recursos, abrangendo as várias necessidades do cliente.
Além disso, o banco vai dobrar o valor mínimo de ativos para a entrada de novos clientes, de US$ 1 milhão (R$ 2,150 milhões) para US$ 2 milhões (R$ 4,3 milhões). "Não vamos expulsar quem tem valores menores, mas vamos buscar os novos nessa faixa maior", diz. A faixa de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões responde por 25% do total de clientes hoje do BankBoston Private. O objetivo de Oliveira é, em três anos, dobrar o total sob administração do private, de R$ 4 bilhões para R$ 8 bilhões.
O ajuste da faixa de renda acompanha uma tendência do mercado, que é diferenciar o cliente private daqueles do varejo de alta renda. O varejo seletivo ganhou importância nos bancos e já conta hoje com a maioria dos produtos antes oferecidos pelos private banks há dez anos, diz Oliveira. Por isso os privates têm de buscar maior sofisticação, o que só é possível com clientes de maior porte. Alguns bancos já começaram esse ajuste, mas muitos ainda aceitam investidores com R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.
A venda de empresas é um dos fatores que deve aumentar os volumes dos private banks no Brasil, diz Oliveira. Ele acredita em uma segunda onda de compras de empresa familiares brasileiras - a primeira foi na época das privatizações, no segundo governo Fernando Henrique Cardoso -, com o país voltando ao radar dos investidores externos. "O Brasil é um dos países com o maior número de empresas familiares e isso cria oportunidades, não apenas para venda, mas para parcerias ou para projetos que usem os serviços do banco e do private bank." Ele dá o exemplo da Parmalat, que chegou a ter 34 fábricas no Brasil, todas adquiridas de pequenos grupos familiares.
Essa segunda onda de fusões deve fazer com que o mercado brasileiro de private cresça mais que os 7% ao ano da média mundial. "Podemos crescer a uma média de 15%, 16% ao ano, nos próximos três anos", acredita Oliveira.
Esse movimento de vendas de empresas e ofertas públicas vai colocar dinheiro novo no mercado de private. As ofertas públicas de ações do ano passado e deste ano já são um sinal disso. "Para criar valor para sua empresa, o acionista precisa abrir mão de parte do capital e aí fica com um volume de recursos para aplicar", diz. "A proposta é não ficar no rouba-monte, mas aumentar o monte geral", diz.
Oliveira chama a atenção também para o fato de que hoje os privates brasileiros estão muito concentrados na gestão de ativos financeiros. "Isso é o coração do serviço, mas com o modelo de arquitetura aberta, todos têm acesso aos mesmos produtos e é difícil se diferenciar", afirma. Com a gestão tornando-se uma commodity, o diferencial fica apenas na taxa de administração, o que transforma a disputa pelos clientes numa guerra de preços.
Na busca pela diferenciação, os privates precisam mudar a visão do banco em relação ao cliente, afirma Oliveira. "Precisamos ter uma visão holística do cliente, ou seja, de todas suas necessidades, não só de investimentos, mas com relação à empresa, à família, e a um grande número de necessidades do lado legal, tributário, societário, de sucessões, que demandam a orientação de um especialista", afirma.
Hoje o BankBoston já tem uma estrutura para prestar grande número de serviços, diretamente no private ou na estrutura de "wealth management" (gestão de patrimônio). O cliente tem um estrategista dedicado, o economista Odair Abate. Na área tributária, o banco tem a advogada tributarista Natália Zimmermann. "Isso faz diferença em relação a alguns privates que usam o economista do banco ou apenas indicam um escritório de advocacia", diz.
Ele lembra do caso dos bancos suíços, que perderam espaço ao dar atenção somente à proteção e gestão das aplicações financeiras, enquanto os bancos americanos partiam para oferecer alternativas para criar valor e aumentar o patrimônio dos clientes. "Por isso, o private precisa ter essa estrutura mais ampla de atendimento", diz.
Nesse ponto, o BankBoston quer usar seus diferenciais, como um forte banco de investimentos que pode prestar assessoria, da gestão à venda de uma empresa, com uma oferta pública que valorize o patrimônio do investidor e torne viável a sucessão ou a profissionalização da empresa. "Podemos ainda servir de ponte para o empresário que está querendo vender a empresa com outros clientes nossos que estariam interessados em comprá-la", diz.
A estratégia por trás disso é que, ao prestar essa ajuda ao cliente, ele provavelmente deixará uma parcela dos recursos aplicados no private do banco.
Oliveira critica também o uso indiscriminado do termo wealth management pelo mercado. "Muitos bancos estão levando para a rede o conceito de diversificação, ou asset alocation, e chamando isso de wealth management, o que não é correto." O processo é semelhante ao que aconteceu com o conceito de private bank nos anos 90, quando desembarcou no Brasil. Clientes de US$ 100 mil já eram considerados private. "Isso acabou por prejudicar a imagem do serviço, uma vez que você não consegue manter um padrão de qualidade diferenciado com essa massificação", diz Oliveira.
O BankBoston quer também usar seu diferencial em relação aos privates de outros bancos estrangeiros que é a firme presença no mercado brasileiro, o conhecimento desse mercado e o acesso aos empresários brasileiros.
BankBoston quer ampliar private no Brasil
Por Angelo Pavini De São Paulo
O BankBoston quer aumentar sua presença no milionário segmento de alta renda no Brasil e, para isso, reforçou a estrutura de seu private bank local. A estratégia incluiu a contratação no fim do ano passado de Dilson Oliveira, executivo com mais de dez anos de experiência no segmento e passagens pelo Lloyds Bank e pela presidência do Itaú Luxemburgo. Oliveira vai comandar um processo de ampliação do foco do private do BankBoston para além da gestão de recursos, abrangendo as várias necessidades do cliente.
Além disso, o banco vai dobrar o valor mínimo de ativos para a entrada de novos clientes, de US$ 1 milhão (R$ 2,150 milhões) para US$ 2 milhões (R$ 4,3 milhões). "Não vamos expulsar quem tem valores menores, mas vamos buscar os novos nessa faixa maior", diz. A faixa de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões responde por 25% do total de clientes hoje do BankBoston Private. O objetivo de Oliveira é, em três anos, dobrar o total sob administração do private, de R$ 4 bilhões para R$ 8 bilhões.
O ajuste da faixa de renda acompanha uma tendência do mercado, que é diferenciar o cliente private daqueles do varejo de alta renda. O varejo seletivo ganhou importância nos bancos e já conta hoje com a maioria dos produtos antes oferecidos pelos private banks há dez anos, diz Oliveira. Por isso os privates têm de buscar maior sofisticação, o que só é possível com clientes de maior porte. Alguns bancos já começaram esse ajuste, mas muitos ainda aceitam investidores com R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.
A venda de empresas é um dos fatores que deve aumentar os volumes dos private banks no Brasil, diz Oliveira. Ele acredita em uma segunda onda de compras de empresa familiares brasileiras - a primeira foi na época das privatizações, no segundo governo Fernando Henrique Cardoso -, com o país voltando ao radar dos investidores externos. "O Brasil é um dos países com o maior número de empresas familiares e isso cria oportunidades, não apenas para venda, mas para parcerias ou para projetos que usem os serviços do banco e do private bank." Ele dá o exemplo da Parmalat, que chegou a ter 34 fábricas no Brasil, todas adquiridas de pequenos grupos familiares.
Essa segunda onda de fusões deve fazer com que o mercado brasileiro de private cresça mais que os 7% ao ano da média mundial. "Podemos crescer a uma média de 15%, 16% ao ano, nos próximos três anos", acredita Oliveira.
Esse movimento de vendas de empresas e ofertas públicas vai colocar dinheiro novo no mercado de private. As ofertas públicas de ações do ano passado e deste ano já são um sinal disso. "Para criar valor para sua empresa, o acionista precisa abrir mão de parte do capital e aí fica com um volume de recursos para aplicar", diz. "A proposta é não ficar no rouba-monte, mas aumentar o monte geral", diz.
Oliveira chama a atenção também para o fato de que hoje os privates brasileiros estão muito concentrados na gestão de ativos financeiros. "Isso é o coração do serviço, mas com o modelo de arquitetura aberta, todos têm acesso aos mesmos produtos e é difícil se diferenciar", afirma. Com a gestão tornando-se uma commodity, o diferencial fica apenas na taxa de administração, o que transforma a disputa pelos clientes numa guerra de preços.
Na busca pela diferenciação, os privates precisam mudar a visão do banco em relação ao cliente, afirma Oliveira. "Precisamos ter uma visão holística do cliente, ou seja, de todas suas necessidades, não só de investimentos, mas com relação à empresa, à família, e a um grande número de necessidades do lado legal, tributário, societário, de sucessões, que demandam a orientação de um especialista", afirma.
Hoje o BankBoston já tem uma estrutura para prestar grande número de serviços, diretamente no private ou na estrutura de "wealth management" (gestão de patrimônio). O cliente tem um estrategista dedicado, o economista Odair Abate. Na área tributária, o banco tem a advogada tributarista Natália Zimmermann. "Isso faz diferença em relação a alguns privates que usam o economista do banco ou apenas indicam um escritório de advocacia", diz.
Ele lembra do caso dos bancos suíços, que perderam espaço ao dar atenção somente à proteção e gestão das aplicações financeiras, enquanto os bancos americanos partiam para oferecer alternativas para criar valor e aumentar o patrimônio dos clientes. "Por isso, o private precisa ter essa estrutura mais ampla de atendimento", diz.
Nesse ponto, o BankBoston quer usar seus diferenciais, como um forte banco de investimentos que pode prestar assessoria, da gestão à venda de uma empresa, com uma oferta pública que valorize o patrimônio do investidor e torne viável a sucessão ou a profissionalização da empresa. "Podemos ainda servir de ponte para o empresário que está querendo vender a empresa com outros clientes nossos que estariam interessados em comprá-la", diz.
A estratégia por trás disso é que, ao prestar essa ajuda ao cliente, ele provavelmente deixará uma parcela dos recursos aplicados no private do banco.
Oliveira critica também o uso indiscriminado do termo wealth management pelo mercado. "Muitos bancos estão levando para a rede o conceito de diversificação, ou asset alocation, e chamando isso de wealth management, o que não é correto." O processo é semelhante ao que aconteceu com o conceito de private bank nos anos 90, quando desembarcou no Brasil. Clientes de US$ 100 mil já eram considerados private. "Isso acabou por prejudicar a imagem do serviço, uma vez que você não consegue manter um padrão de qualidade diferenciado com essa massificação", diz Oliveira.
O BankBoston quer também usar seu diferencial em relação aos privates de outros bancos estrangeiros que é a firme presença no mercado brasileiro, o conhecimento desse mercado e o acesso aos empresários brasileiros.
Hedging - Griffo
Matéria de 13 de Março do Valor Econômico.
Hedging-Griffo abre fundo que seguirá o legendário Verde
Mara Luquet
Hoje, o fundo HG Verde, da Hedging-Griffo, um dos mais antigos e bem sucedidos "hedge funds" brasileiros, abre para captação. Na verdade, trata-se do HG Verde 90, uma carteira que replicará a original, mas os resgates serão feitos em D+90, ou seja, três meses depois do pedido.
Desde 2002, o Verde não aceitava novas aplicações. Na ocasião, o sócio da Hedging-Griffo Luis Stuhlberger explicou que o mercado brasileiro não tinha liquidez e ativos suficientes para comportar fundos hedge com patrimônios muito grandes. "Mas o Brasil melhorou, o volume da bolsa dobrou e aumentou a liquidez das opções", diz ele. Assim, foi possível criar mais uma carteira dentro da família Verde, que hoje já soma R$ 4 bilhões em patrimônio.
De qualquer forma, o espaço para crescimento é limitado. Assim, Stuhlberger explica que o fundo ficará aberto até o dia 21 e apenas para uma captação limitada a R$ 300 milhões. Deste volume, R$ 100 milhões serão destinados aos parceiros da Griffo que distribuem o Verde e os outros R$ 200 milhões para os clientes da corretora. Se a demanda superar essa tranche, haverá um rateio.
O Verde é um caso de sucesso, com ganho acumulado de 2.130% desde seu início, há pouco mais de nove anos. No mesmo período, o ganho do CDI foi de 473,39%. O fundo teve início em 1997, num momento em que gestores independentes começavam a aparecer no Brasil. No entanto, naquele mesmo ano, esse movimento foi freado pela crise devastadora que assolou os mercados emergentes entre o fim de 1997 e início de 1999. Poucos fundos de independentes conseguiram sobreviver.
O Verde atravessou o período com um desempenho espetacular. Não apenas sobreviveu como exibiu uma performance que construiu sua fama. A filosofia do seu gestor, que permanece até hoje, é: buscar oportunidades na contramão do mercado. Um exemplo pode ser visto este ano, em que a carteira acumula ganho de 9,04%, para um CDI de 2,58%.
Uma das razões desse ganho, Stuhlberger credita à operação com bônus do Banco do Brasil.
"Entre 1999 e 2004 fui colecionando os bônus do banco", conta Stuhlberger. Esses bônus foram emitidos quando as ações do Banco do Brasil valiam em mercado cerca de R$ 6 e os papéis traziam um preço de subscrição de R$ 9. Ou seja, quem pagaria mais para comprar ações que em mercado valiam bem menos? Stuhlberger pagou. Ele comprou os bônus a R$ 2. Agora, valem R$ 27. E as ações do BB eram negociadas na sexta-feira a R$ 56,19.
O Verde chamou a atenção do mercado pela primeira vez em outubro de 1997. O fundo ainda não tinha sequer completado seu primeiro ano de vida e experimentou naquele mês um ganho de 5%. Mas o que mais despertou o interesse do mercado foi que essa performance excepcional ocorreu num momento em que a maior parte das carteiras sofria horrores com o auge da crise iniciada na Tailândia.
A operação que gerou tal ganho foi no mercado de juros e começou a ser montada no dia 24 daquele mês. "Lembro perfeitamente porque era o dia do meu aniversário", conta Stuhlberger. Durante um almoço com os sócios, no restaurante Charlô, em São Paulo, ele conta que passava por telefone as ordens de compra para o pessoal da mesa de operações na Hedging-Griffo.
Stuhlberger montou a operação com contratos de derivativos de juros que simulavam um financiamento. Ele tomou dinheiro a 19% ao ano. Ocorre que, quatro dias depois, o governo, por conta da crise, puxou a taxa de juro básica da economia para 40%. Ou seja, o Verde tinha um dinheiro extremamente barato que passara a valer muito no mercado e ele poderia emprestar a taxas bem mais altas.
Stuhlberger tem muitas outras histórias para contar. Em agosto de 2002, por exemplo, o fundo chegou a perder 2,17%. Ele conta que a carteira tinha um "hedge" com contratos de câmbio que não funcionou naquele momento, quando o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,4 no mercado à vista. "Não tinha muito o que fazer porque eu não queria vender as ações, então era só esperar", conta.
Mas o mais importante, diz, é que, durante esse tempo, ele construiu uma relação de confiança com os cotistas que o permite manter a calma mesmo em momentos de adversidades.
Matéria de 13 de Março do Valor Econômico.
Hedging-Griffo abre fundo que seguirá o legendário Verde
Mara Luquet
Hoje, o fundo HG Verde, da Hedging-Griffo, um dos mais antigos e bem sucedidos "hedge funds" brasileiros, abre para captação. Na verdade, trata-se do HG Verde 90, uma carteira que replicará a original, mas os resgates serão feitos em D+90, ou seja, três meses depois do pedido.
Desde 2002, o Verde não aceitava novas aplicações. Na ocasião, o sócio da Hedging-Griffo Luis Stuhlberger explicou que o mercado brasileiro não tinha liquidez e ativos suficientes para comportar fundos hedge com patrimônios muito grandes. "Mas o Brasil melhorou, o volume da bolsa dobrou e aumentou a liquidez das opções", diz ele. Assim, foi possível criar mais uma carteira dentro da família Verde, que hoje já soma R$ 4 bilhões em patrimônio.
De qualquer forma, o espaço para crescimento é limitado. Assim, Stuhlberger explica que o fundo ficará aberto até o dia 21 e apenas para uma captação limitada a R$ 300 milhões. Deste volume, R$ 100 milhões serão destinados aos parceiros da Griffo que distribuem o Verde e os outros R$ 200 milhões para os clientes da corretora. Se a demanda superar essa tranche, haverá um rateio.
O Verde é um caso de sucesso, com ganho acumulado de 2.130% desde seu início, há pouco mais de nove anos. No mesmo período, o ganho do CDI foi de 473,39%. O fundo teve início em 1997, num momento em que gestores independentes começavam a aparecer no Brasil. No entanto, naquele mesmo ano, esse movimento foi freado pela crise devastadora que assolou os mercados emergentes entre o fim de 1997 e início de 1999. Poucos fundos de independentes conseguiram sobreviver.
O Verde atravessou o período com um desempenho espetacular. Não apenas sobreviveu como exibiu uma performance que construiu sua fama. A filosofia do seu gestor, que permanece até hoje, é: buscar oportunidades na contramão do mercado. Um exemplo pode ser visto este ano, em que a carteira acumula ganho de 9,04%, para um CDI de 2,58%.
Uma das razões desse ganho, Stuhlberger credita à operação com bônus do Banco do Brasil.
"Entre 1999 e 2004 fui colecionando os bônus do banco", conta Stuhlberger. Esses bônus foram emitidos quando as ações do Banco do Brasil valiam em mercado cerca de R$ 6 e os papéis traziam um preço de subscrição de R$ 9. Ou seja, quem pagaria mais para comprar ações que em mercado valiam bem menos? Stuhlberger pagou. Ele comprou os bônus a R$ 2. Agora, valem R$ 27. E as ações do BB eram negociadas na sexta-feira a R$ 56,19.
O Verde chamou a atenção do mercado pela primeira vez em outubro de 1997. O fundo ainda não tinha sequer completado seu primeiro ano de vida e experimentou naquele mês um ganho de 5%. Mas o que mais despertou o interesse do mercado foi que essa performance excepcional ocorreu num momento em que a maior parte das carteiras sofria horrores com o auge da crise iniciada na Tailândia.
A operação que gerou tal ganho foi no mercado de juros e começou a ser montada no dia 24 daquele mês. "Lembro perfeitamente porque era o dia do meu aniversário", conta Stuhlberger. Durante um almoço com os sócios, no restaurante Charlô, em São Paulo, ele conta que passava por telefone as ordens de compra para o pessoal da mesa de operações na Hedging-Griffo.
Stuhlberger montou a operação com contratos de derivativos de juros que simulavam um financiamento. Ele tomou dinheiro a 19% ao ano. Ocorre que, quatro dias depois, o governo, por conta da crise, puxou a taxa de juro básica da economia para 40%. Ou seja, o Verde tinha um dinheiro extremamente barato que passara a valer muito no mercado e ele poderia emprestar a taxas bem mais altas.
Stuhlberger tem muitas outras histórias para contar. Em agosto de 2002, por exemplo, o fundo chegou a perder 2,17%. Ele conta que a carteira tinha um "hedge" com contratos de câmbio que não funcionou naquele momento, quando o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,4 no mercado à vista. "Não tinha muito o que fazer porque eu não queria vender as ações, então era só esperar", conta.
Mas o mais importante, diz, é que, durante esse tempo, ele construiu uma relação de confiança com os cotistas que o permite manter a calma mesmo em momentos de adversidades.
Monday, January 23, 2006
BankBoston: Fundo Quantitativo
Matéria publicada no Valor Econômico de 23 de Janeiro de 2006.
BankBoston leva modelo quantitativo para o varejo
Angelo Pavini
De São Paulo
A onda dos fundos quantitativos, que usam modelos matemáticos para decidir as aplicações, contagiou a BankBoston Asset Management. A partir de hoje, a gestora passa a oferecer para os clientes de varejo do banco o Boston Expert, uma carteira que buscará ganhos nos mercados de ações e nos futuros de índice, dólar, juros e dívida externa com vários modelos estatísticos. O banco já havia lançado no ano passado um long/short, fundo de arbitragem em ações, outra estratégia que virou mania entre os multimercados em 2005.
Segundo Edinardo Figueiredo, superintendente executivo de produtos de investimentos e seguros do BankBoston, o novo fundo, o terceiro multimercado da casa para o varejo, vai servir para que os investidores diversifiquem melhor suas aplicações. "Notamos que, com o juro caindo e a bolsa subindo, há uma grande procura por diversificação e realocação dos recursos, e maior apetite por risco."
O Expert será um fundo de cotas que aplicará no Boston Eagle Quant, destinado aos clientes de alta renda do private do banco. A gestora criou em setembro uma equipe apenas para cuidar dessa estratégia, com um diretor, dois analistas e dois estagiários. "É a maior equipe quantitativa do mercado", diz Charles Ferraz, superintendente executivo da asset. A aplicação mínima do Expert é de R$ 10 mil e a taxa de administração é de 1% ao ano mais 40% sobre o que superar o CDI - o objetivo do fundo é render 110% do referencial. Hoje, o BankBoston oferece para os clientes de varejo e private um multimercado tradicional, com patrimônio de R$ 1,6 bilhão, um long/short, que já está prestes a fechar para captação, com R$ 200 milhões, e agora um quantitativo, com R$ 130 milhões só no private.
Ferraz explica que o Expert vai ser um fundo quantitativo puro, diferentemente de outros que usam a estratégia apenas como ferramenta de apoio a decisões tomadas com base em análises macroeconômicas ou fundamentalista. O segredo, diz, é a qualidade do modelo matemático, desenvolvido pelo gestor para encontrar as oportunidades em cada mercado. "Testamos as estratégias à exaustão e estamos confiantes que o fundo será um sucesso", diz Ferraz, lembrando que o fundo Eagle superou o CDI nos últimos dois anos.
O Expert terá várias estratégias, como "trend following" - que segue tendências de cada mercado. Outra estuda o comportamento dos mercados em cada período do ano para definir momentos de aplicação. Apesar da sofisticação, o fundo deve ter baixa volatilidade, em torno de 1% ao ano.
Matéria publicada no Valor Econômico de 23 de Janeiro de 2006.
BankBoston leva modelo quantitativo para o varejo
Angelo Pavini
De São Paulo
A onda dos fundos quantitativos, que usam modelos matemáticos para decidir as aplicações, contagiou a BankBoston Asset Management. A partir de hoje, a gestora passa a oferecer para os clientes de varejo do banco o Boston Expert, uma carteira que buscará ganhos nos mercados de ações e nos futuros de índice, dólar, juros e dívida externa com vários modelos estatísticos. O banco já havia lançado no ano passado um long/short, fundo de arbitragem em ações, outra estratégia que virou mania entre os multimercados em 2005.
Segundo Edinardo Figueiredo, superintendente executivo de produtos de investimentos e seguros do BankBoston, o novo fundo, o terceiro multimercado da casa para o varejo, vai servir para que os investidores diversifiquem melhor suas aplicações. "Notamos que, com o juro caindo e a bolsa subindo, há uma grande procura por diversificação e realocação dos recursos, e maior apetite por risco."
O Expert será um fundo de cotas que aplicará no Boston Eagle Quant, destinado aos clientes de alta renda do private do banco. A gestora criou em setembro uma equipe apenas para cuidar dessa estratégia, com um diretor, dois analistas e dois estagiários. "É a maior equipe quantitativa do mercado", diz Charles Ferraz, superintendente executivo da asset. A aplicação mínima do Expert é de R$ 10 mil e a taxa de administração é de 1% ao ano mais 40% sobre o que superar o CDI - o objetivo do fundo é render 110% do referencial. Hoje, o BankBoston oferece para os clientes de varejo e private um multimercado tradicional, com patrimônio de R$ 1,6 bilhão, um long/short, que já está prestes a fechar para captação, com R$ 200 milhões, e agora um quantitativo, com R$ 130 milhões só no private.
Ferraz explica que o Expert vai ser um fundo quantitativo puro, diferentemente de outros que usam a estratégia apenas como ferramenta de apoio a decisões tomadas com base em análises macroeconômicas ou fundamentalista. O segredo, diz, é a qualidade do modelo matemático, desenvolvido pelo gestor para encontrar as oportunidades em cada mercado. "Testamos as estratégias à exaustão e estamos confiantes que o fundo será um sucesso", diz Ferraz, lembrando que o fundo Eagle superou o CDI nos últimos dois anos.
O Expert terá várias estratégias, como "trend following" - que segue tendências de cada mercado. Outra estuda o comportamento dos mercados em cada período do ano para definir momentos de aplicação. Apesar da sofisticação, o fundo deve ter baixa volatilidade, em torno de 1% ao ano.
Link em Private Banking
Matéria publicada no Valor Econômico de 23 de Janeiro de 2006.
Link cria área para atender os clientes de alta renda
Por Daniele Camba
De São Paulo
A Link, corretora que tem como sócios Daniel e Marcelo Mendonça de Barros - filhos do ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros -, está colocando um pé no segmento de pessoas físicas de alta renda na Bovespa. Para isso, acaba de criar uma área private, que vai atender investidores abonados, com patrimônio a partir de R$ 1 milhão.
O objetivo é oferecer assessoria de investimento a esses clientes que, apesar de abastados, ainda estão num nível de riqueza considerado baixo pelos grandes bancos, por isso são mal atendidos pelas áreas private, diz Marcos Elias, um dos sócios da corretora.
"Os clientes com R$ 20 milhões, por exemplo, são o foco dos bancos, enquanto os menores são relegados a segundo plano", diz Elias. O projeto, segundo Daniel Mendonça de Barros, é atender também o investidor de menor porte, mas antes a corretora terá de investir pesado em tecnologia, condição primordial para crescer em escala, que é a fórmula do sucesso no atendimento à pessoa física.
Na parte de gestão de recursos, num primeiro momento, a corretora deve oferecer os fundos da Quest Investimentos, que é a gestora ligada ao grupo e tem como principal sócio e estrategista o próprio Luiz Carlos Mendonça de Barros. O projeto, no entanto, é oferecer fundos também de outras assets, assim que a nova área tiver massa crítica de clientes.
A corretora começou a atender pessoas físicas há dois meses e já conta com 50 clientes. Até então, a Link atendia de forma informal apenas os clientes pessoa física que estão por trás dos seus investidores institucionais na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). A meta inicial é ter uma carteira com pelo menos 500 clientes.
A participação desses negócios com o investidor pessoa física na receita da corretora pulou de 2% para 5%. E isso é só o começo. Para Norberto Giangrande sócio da Link, com o interesse crescente dos brasileiros em investir em bolsa e a carência que possuem de um atendimento personalizado, essa área tem potencial para representar até mais da metade da receita da corretora. "A nossa área private pode se tornar conhecida por ser uma das únicas especializada em bolsa", diz Giangrande.
Apesar da criação de uma área private, a grande aposta da corretora ainda são os clientes institucionais da BM&F. Apesar de nova, se comparada a algumas que estão no mercado há décadas, a Link está entre as mais ativas. Ela estreou na BM&F em 1998 e, desde 2002, é líder do ranking em termos de volume de negócios.
Na Bovespa, a entrada é mais recente. Primeiro comprou um título da Bolsa de Santos, o que lhe permitia operar na Bovespa via outra corretora. No entanto, percebendo a recuperação no volume de negócios, em junho de 2004 comprou os títulos da bolsa paulista e passou a operar sozinha. Em 2005, montou uma área de análise de renda variável.
Matéria publicada no Valor Econômico de 23 de Janeiro de 2006.
Link cria área para atender os clientes de alta renda
Por Daniele Camba
De São Paulo
A Link, corretora que tem como sócios Daniel e Marcelo Mendonça de Barros - filhos do ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros -, está colocando um pé no segmento de pessoas físicas de alta renda na Bovespa. Para isso, acaba de criar uma área private, que vai atender investidores abonados, com patrimônio a partir de R$ 1 milhão.
O objetivo é oferecer assessoria de investimento a esses clientes que, apesar de abastados, ainda estão num nível de riqueza considerado baixo pelos grandes bancos, por isso são mal atendidos pelas áreas private, diz Marcos Elias, um dos sócios da corretora.
"Os clientes com R$ 20 milhões, por exemplo, são o foco dos bancos, enquanto os menores são relegados a segundo plano", diz Elias. O projeto, segundo Daniel Mendonça de Barros, é atender também o investidor de menor porte, mas antes a corretora terá de investir pesado em tecnologia, condição primordial para crescer em escala, que é a fórmula do sucesso no atendimento à pessoa física.
Na parte de gestão de recursos, num primeiro momento, a corretora deve oferecer os fundos da Quest Investimentos, que é a gestora ligada ao grupo e tem como principal sócio e estrategista o próprio Luiz Carlos Mendonça de Barros. O projeto, no entanto, é oferecer fundos também de outras assets, assim que a nova área tiver massa crítica de clientes.
A corretora começou a atender pessoas físicas há dois meses e já conta com 50 clientes. Até então, a Link atendia de forma informal apenas os clientes pessoa física que estão por trás dos seus investidores institucionais na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). A meta inicial é ter uma carteira com pelo menos 500 clientes.
A participação desses negócios com o investidor pessoa física na receita da corretora pulou de 2% para 5%. E isso é só o começo. Para Norberto Giangrande sócio da Link, com o interesse crescente dos brasileiros em investir em bolsa e a carência que possuem de um atendimento personalizado, essa área tem potencial para representar até mais da metade da receita da corretora. "A nossa área private pode se tornar conhecida por ser uma das únicas especializada em bolsa", diz Giangrande.
Apesar da criação de uma área private, a grande aposta da corretora ainda são os clientes institucionais da BM&F. Apesar de nova, se comparada a algumas que estão no mercado há décadas, a Link está entre as mais ativas. Ela estreou na BM&F em 1998 e, desde 2002, é líder do ranking em termos de volume de negócios.
Na Bovespa, a entrada é mais recente. Primeiro comprou um título da Bolsa de Santos, o que lhe permitia operar na Bovespa via outra corretora. No entanto, percebendo a recuperação no volume de negócios, em junho de 2004 comprou os títulos da bolsa paulista e passou a operar sozinha. Em 2005, montou uma área de análise de renda variável.
Indústria de Fundos : Crescimento?
Matéria publicada no Valor Econômico de 23 de Janeiro de 2006.
Crescimento ilusório
Por Danilo Fariello e Daniele Camba
De São Paulo
Quem olha o tamanho do setor de fundos de investimentos no Brasil, hoje com cerca de R$ 700 bilhões, acha que ele vai de vento em popa. Mas, observando com cuidado, a história é bem diferente. Excluídos os fundos de previdência, o setor registrou mais saques do que aportes de 2001 até o ano passado. Levantamento feito pelo site financeiro Fortuna a pedido do Valor mostra que, nos últimos cinco anos, os fundos tiveram perda líquida (resgates menos aplicações) média de 1,8% do patrimônio total ao ano. Em 2001, o segmento tinha R$ 268 bilhões de patrimônio e fechou 2005 com R$ 583 bilhões. Esse crescimento é resultado principalmente da rentabilidade. Se dependesse unicamente das aplicações novas, o patrimônio chegaria em 2005 com R$ 20 bilhões a menos do que tinha no começo. O levantamento exclui fundos de previdência, que trilharam caminho contrário.
Em apenas dois dos últimos cinco anos houve captação líquida nos fundos de investimento. E o maior avanço, em 2003 - com captação de 16,1% -, foi mais uma recuperação do tombo que o setor tomou em 2002, com a crise da marcação a mercado. No ano passado, o segmento cresceu apenas 2,8%, graças principalmente aos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). "Se não fosse isso, provavelmente os saques continuariam a superar os depósitos ou, no máximo, o setor ficaria no zero a zero", diz Marcelo D'Agosto, sócio do Fortuna.
Para D'Agosto, os fundos ainda não atingiram camadas mais populares de investidores, que temem a complexa estrutura do mercado. Ele diz, ainda, que o acesso aos fundos é muito restrito, principalmente pela falta de informações disponíveis.
Marcelo Bonini, Diretor de Ativos de Terceiros da Caixa Econômica Federal, diz que o setor está perfeitamente estruturado, mas questões culturais ainda impedem a expansão das aplicações. Para ele, os gestores são altamente qualificados, os produtos são diversificados e a regulação adequada. "Porém, investidores ainda têm dificuldades em escolher fundos, e gerentes muitas vezes têm medo em oferecer algo que não compreendem totalmente." A recente mudança da tributação das carteiras, por exemplo, lançou mais uma incógnita nessa complexa equação, diz.
Maria Cecilia Rossi, sócia da Inter-link Consultoria de Mercado de Capitais e ex-diretora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) diz que seria preciso oferecer mais educação financeira aos investidores para que entendam as vantagens dos fundos. Sérgio de Oliveira, diretor-executivo do Bradesco e vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), reconhece que falta ainda melhor capacitação dos profissionais que distribuem os fundos para apresentar os produtos de maneira mais eficiente aos investidores. "Mas isso tem melhorado."
No topo da pirâmide, ou seja, entre os investidores de maior renda, houve também motivos para os fundos perderem atratividade. Maria Cecília, da Inter-link, diz que a criação da conta-investimento, que isenta da CPMF movimentações entre diferentes aplicações, diminuiu a importância dos fundos exclusivos, que eram procurados principalmente para esse fim.
Um fator regulatório também diminuiu o apetite dos gestores para buscar cotistas. Maria Cecilia diz que o maior rigor da CVM na regulação dos fundos, apesar de oferecer mais transparência, acabou implicando custos mais elevados para administradores. "O preço de manter um fundo subiu e reduziu a competição no mercado."
Em 2002, a perda líquida foi a mais dramática, chegando a 21,1%. O motivo foi a marcação a mercado, uma regra do Banco Central que determinou que todos os fundos registrassem os papéis que possuíam pelo valor corrente, como se fossem vendê-los naquele dia. Uma parte dos gestores não fazia isso. Naquele momento, com a eleição presidencial conturbada, os papéis apresentavam forte volatilidade e a mudança acabou por provocar perdas nas cotas de fundos. Muitas carteiras de renda fixa e DI registraram perdas surpreendentes para seus cotistas.
Esse evento mostrou ao investidor que ele pode perder dinheiro até nos fundos mais conservadores. A volatilidade das cotas provocou uma onda de saques. Para André Luiz Oda, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) muitos investidores migraram dos fundos para a caderneta de poupança ou para os CDBs e não voltaram mais.
O recolhimento do imposto de renda (IR) sobre os ganhos semestralmente, (conhecido como "come-cotas") também garfa um bom pedaço dos recursos, aparecendo como saques na conta da captação líquida. A tributação teria tirado dos fundos cerca de R$ 50 bilhões nesses cinco anos, estima o também vice-presidente da Anbid, Marcelo Giufrida. "Se olharmos por esse prisma, o setor teve captação líquida de R$ 30 bilhões e não perdas de R$ 20 bilhões." Mas ele reconhece que houve recuo nas aplicações em relação aos anos 90. Nos últimos cinco anos, além da previdência, Giufrida lembra que houve a concorrência dos CDBs, que deixaram de pagar CPMF na reaplicação, com a conta-investimento, não têm come-cotas nem taxa de administração.
Oliveira, do Bradesco, diz que, apesar de ter a captação reduzida, a importância dos fundos cresceu nos últimos anos para 40% do Produto Interno Bruto (PIB). "Além disso, os fundos abrigam mais de 60% das aplicações financeiras."
Gestores acreditam que a queda dos juros trará um futuro melhor, já que o investidor deverá ter um apetite maior por risco em busca de ganhos melhores do que em CDBs ou fundos de renda fixa. "Veremos uma onda de aplicações em carteiras como multimercados e fundos de ações", diz o professor do IBMEC-SP e sócio da ForeSee Investimentos, João Luiz Mascolo.
Previdência privada rouba recursos das demais carteiras
De São Paulo
O desenvolvimento da previdência privada, que ganhou força ao longo dos últimos cinco anos, fez com que muitos investidores transferissem recursos dos fundos regulares para carteiras voltadas à aposentadoria do tipo PGBL, VGBL e Fapi. A análise do site Fortuna, que leva em conta esses planos de previdência, indica que, nesse período, a captação líquida do segmento foi de R$ 32 bilhões, enquanto os demais tipos de fundos perderam R$ 20 bilhões nessa mesma conta.
Entre 2001 e 2002, os planos de previdência praticamente dobraram de tamanho, impulsionados por novos aportes. Nos últimos dois anos, entretanto, esse crescimento no volume de recursos captados caiu, mas em 2005 as contribuições no segmento ainda avançaram, proporcionalmente, dez vezes mais do que os depósitos dos fundos em geral.
A arrancada na captação da previdência privada em relação ao seu patrimônio justifica-se principalmente por se tratar de um mercado recente, que começou a se formar em 1998 e suas regras evoluíram bastante ao longo dos anos. Novidades trazidas como benefícios tributários - ampliados no ano passado com a criação da tabela regressiva, que pode reduzir o imposto para 10% independente do valor aplicado - e possibilidade de aquisição de renda mensal no futuro encantaram investidores que visam retorno em prazos mais longos.
Maria Cecilia Rossi, sócia da Inter-link Consultoria de Mercado de Capitais e ex-diretora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acredita que a previdência privada roubou recursos dos demais fundos. São produtos mais adequados a muitos que antes ficavam em fundos regulares por falta de opção melhor. A tributação na previdência beneficia o investimento de longo prazo. "A possibilidade de abatimento do imposto de renda também é uma vantagem que atraiu muitos investidores", diz Maria Cecilia.
Além disso, ela diz que, no período, houve maior esforço dos bancos e seguradoras em treinar pessoas para distribuir produtos de previdência do que normalmente ocorre com os fundos de investimento. O diretor-executivo do Bradesco, Sérgio de Oliveira, afirma que muitos aplicadores transferiram investimentos de longo prazo para a previdência. O Bradesco é o segundo maior gestor de recursos do país e sua seguradora é líder no setor de previdência privada.
E esse crescimento estaria apenas no começo. As perspectivas de uma expansão econômica maior nos próximos anos e a possível reforma da previdência são dois fatores que devem impulsionar ainda mais a captação da previdência privada, avalia o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Marcelo Giufrida.
Ele lembra que esse crescimento das carteiras de previdência é natural de um mercado iniciante. O mesmo aconteceu no setor de fundos de investimento na década de 90 com os DI, renda fixa, multimercados. Agora, esses fundos encontram-se numa fase de consolidação.
O crescimento da previdência privada é um resultado da situação econômica, na visão do professor do IBMEC-SP e sócio da ForeSee Investimentos, João Luiz Mascolo. "Num país em que 40% dos brasileiros vivem do trabalho informal, não poderia ser diferente", avalia. "Essas pessoas precisam sozinhas garantir sua aposentadoria, já que não poderão contar com o governo."(DF e DC)
Matéria publicada no Valor Econômico de 23 de Janeiro de 2006.
Crescimento ilusório
Por Danilo Fariello e Daniele Camba
De São Paulo
Quem olha o tamanho do setor de fundos de investimentos no Brasil, hoje com cerca de R$ 700 bilhões, acha que ele vai de vento em popa. Mas, observando com cuidado, a história é bem diferente. Excluídos os fundos de previdência, o setor registrou mais saques do que aportes de 2001 até o ano passado. Levantamento feito pelo site financeiro Fortuna a pedido do Valor mostra que, nos últimos cinco anos, os fundos tiveram perda líquida (resgates menos aplicações) média de 1,8% do patrimônio total ao ano. Em 2001, o segmento tinha R$ 268 bilhões de patrimônio e fechou 2005 com R$ 583 bilhões. Esse crescimento é resultado principalmente da rentabilidade. Se dependesse unicamente das aplicações novas, o patrimônio chegaria em 2005 com R$ 20 bilhões a menos do que tinha no começo. O levantamento exclui fundos de previdência, que trilharam caminho contrário.
Em apenas dois dos últimos cinco anos houve captação líquida nos fundos de investimento. E o maior avanço, em 2003 - com captação de 16,1% -, foi mais uma recuperação do tombo que o setor tomou em 2002, com a crise da marcação a mercado. No ano passado, o segmento cresceu apenas 2,8%, graças principalmente aos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). "Se não fosse isso, provavelmente os saques continuariam a superar os depósitos ou, no máximo, o setor ficaria no zero a zero", diz Marcelo D'Agosto, sócio do Fortuna.
Para D'Agosto, os fundos ainda não atingiram camadas mais populares de investidores, que temem a complexa estrutura do mercado. Ele diz, ainda, que o acesso aos fundos é muito restrito, principalmente pela falta de informações disponíveis.
Marcelo Bonini, Diretor de Ativos de Terceiros da Caixa Econômica Federal, diz que o setor está perfeitamente estruturado, mas questões culturais ainda impedem a expansão das aplicações. Para ele, os gestores são altamente qualificados, os produtos são diversificados e a regulação adequada. "Porém, investidores ainda têm dificuldades em escolher fundos, e gerentes muitas vezes têm medo em oferecer algo que não compreendem totalmente." A recente mudança da tributação das carteiras, por exemplo, lançou mais uma incógnita nessa complexa equação, diz.
Maria Cecilia Rossi, sócia da Inter-link Consultoria de Mercado de Capitais e ex-diretora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) diz que seria preciso oferecer mais educação financeira aos investidores para que entendam as vantagens dos fundos. Sérgio de Oliveira, diretor-executivo do Bradesco e vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), reconhece que falta ainda melhor capacitação dos profissionais que distribuem os fundos para apresentar os produtos de maneira mais eficiente aos investidores. "Mas isso tem melhorado."
No topo da pirâmide, ou seja, entre os investidores de maior renda, houve também motivos para os fundos perderem atratividade. Maria Cecília, da Inter-link, diz que a criação da conta-investimento, que isenta da CPMF movimentações entre diferentes aplicações, diminuiu a importância dos fundos exclusivos, que eram procurados principalmente para esse fim.
Um fator regulatório também diminuiu o apetite dos gestores para buscar cotistas. Maria Cecilia diz que o maior rigor da CVM na regulação dos fundos, apesar de oferecer mais transparência, acabou implicando custos mais elevados para administradores. "O preço de manter um fundo subiu e reduziu a competição no mercado."
Em 2002, a perda líquida foi a mais dramática, chegando a 21,1%. O motivo foi a marcação a mercado, uma regra do Banco Central que determinou que todos os fundos registrassem os papéis que possuíam pelo valor corrente, como se fossem vendê-los naquele dia. Uma parte dos gestores não fazia isso. Naquele momento, com a eleição presidencial conturbada, os papéis apresentavam forte volatilidade e a mudança acabou por provocar perdas nas cotas de fundos. Muitas carteiras de renda fixa e DI registraram perdas surpreendentes para seus cotistas.
Esse evento mostrou ao investidor que ele pode perder dinheiro até nos fundos mais conservadores. A volatilidade das cotas provocou uma onda de saques. Para André Luiz Oda, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) muitos investidores migraram dos fundos para a caderneta de poupança ou para os CDBs e não voltaram mais.
O recolhimento do imposto de renda (IR) sobre os ganhos semestralmente, (conhecido como "come-cotas") também garfa um bom pedaço dos recursos, aparecendo como saques na conta da captação líquida. A tributação teria tirado dos fundos cerca de R$ 50 bilhões nesses cinco anos, estima o também vice-presidente da Anbid, Marcelo Giufrida. "Se olharmos por esse prisma, o setor teve captação líquida de R$ 30 bilhões e não perdas de R$ 20 bilhões." Mas ele reconhece que houve recuo nas aplicações em relação aos anos 90. Nos últimos cinco anos, além da previdência, Giufrida lembra que houve a concorrência dos CDBs, que deixaram de pagar CPMF na reaplicação, com a conta-investimento, não têm come-cotas nem taxa de administração.
Oliveira, do Bradesco, diz que, apesar de ter a captação reduzida, a importância dos fundos cresceu nos últimos anos para 40% do Produto Interno Bruto (PIB). "Além disso, os fundos abrigam mais de 60% das aplicações financeiras."
Gestores acreditam que a queda dos juros trará um futuro melhor, já que o investidor deverá ter um apetite maior por risco em busca de ganhos melhores do que em CDBs ou fundos de renda fixa. "Veremos uma onda de aplicações em carteiras como multimercados e fundos de ações", diz o professor do IBMEC-SP e sócio da ForeSee Investimentos, João Luiz Mascolo.
Previdência privada rouba recursos das demais carteiras
De São Paulo
O desenvolvimento da previdência privada, que ganhou força ao longo dos últimos cinco anos, fez com que muitos investidores transferissem recursos dos fundos regulares para carteiras voltadas à aposentadoria do tipo PGBL, VGBL e Fapi. A análise do site Fortuna, que leva em conta esses planos de previdência, indica que, nesse período, a captação líquida do segmento foi de R$ 32 bilhões, enquanto os demais tipos de fundos perderam R$ 20 bilhões nessa mesma conta.
Entre 2001 e 2002, os planos de previdência praticamente dobraram de tamanho, impulsionados por novos aportes. Nos últimos dois anos, entretanto, esse crescimento no volume de recursos captados caiu, mas em 2005 as contribuições no segmento ainda avançaram, proporcionalmente, dez vezes mais do que os depósitos dos fundos em geral.
A arrancada na captação da previdência privada em relação ao seu patrimônio justifica-se principalmente por se tratar de um mercado recente, que começou a se formar em 1998 e suas regras evoluíram bastante ao longo dos anos. Novidades trazidas como benefícios tributários - ampliados no ano passado com a criação da tabela regressiva, que pode reduzir o imposto para 10% independente do valor aplicado - e possibilidade de aquisição de renda mensal no futuro encantaram investidores que visam retorno em prazos mais longos.
Maria Cecilia Rossi, sócia da Inter-link Consultoria de Mercado de Capitais e ex-diretora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acredita que a previdência privada roubou recursos dos demais fundos. São produtos mais adequados a muitos que antes ficavam em fundos regulares por falta de opção melhor. A tributação na previdência beneficia o investimento de longo prazo. "A possibilidade de abatimento do imposto de renda também é uma vantagem que atraiu muitos investidores", diz Maria Cecilia.
Além disso, ela diz que, no período, houve maior esforço dos bancos e seguradoras em treinar pessoas para distribuir produtos de previdência do que normalmente ocorre com os fundos de investimento. O diretor-executivo do Bradesco, Sérgio de Oliveira, afirma que muitos aplicadores transferiram investimentos de longo prazo para a previdência. O Bradesco é o segundo maior gestor de recursos do país e sua seguradora é líder no setor de previdência privada.
E esse crescimento estaria apenas no começo. As perspectivas de uma expansão econômica maior nos próximos anos e a possível reforma da previdência são dois fatores que devem impulsionar ainda mais a captação da previdência privada, avalia o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Marcelo Giufrida.
Ele lembra que esse crescimento das carteiras de previdência é natural de um mercado iniciante. O mesmo aconteceu no setor de fundos de investimento na década de 90 com os DI, renda fixa, multimercados. Agora, esses fundos encontram-se numa fase de consolidação.
O crescimento da previdência privada é um resultado da situação econômica, na visão do professor do IBMEC-SP e sócio da ForeSee Investimentos, João Luiz Mascolo. "Num país em que 40% dos brasileiros vivem do trabalho informal, não poderia ser diferente", avalia. "Essas pessoas precisam sozinhas garantir sua aposentadoria, já que não poderão contar com o governo."(DF e DC)
Wednesday, January 18, 2006
Entrevista com ABN Amro Asset
Matéria publicada no Valor Econômico de 18/01/06.
ABN promete incomodar os concorrentes
Por Daniele Camba De São Paulo
Foto: Fabiano Cerchiari/Valor
Juros em queda, inflação controlada, aceleração do crescimento e fluxo de capital estrangeiro são ingredientes que devem fazer o Índice Bovespa chegar ao fim do ano em 45 mil pontos. Para Paulo Werneck, da ABN Amro Asset Management, esta pode ser a hora certa dos bancos, aos poucos, começarem a oferecer fundos de ações aos clientes de varejo, o que hoje acontece de forma incipiente.
Werneck é hoje o principal executivo da ABN Asset, no lugar de Luiz Maia, que passa a ser consultor para assuntos de sustentabilidade do banco. Com novos tipos de fundos, o executivo promete incomodar os concorrentes e quer transformar a gestora do ABN, hoje na 8ª posição, com R$ 31,7 bilhões, na 5ª maior administradora de recursos do país, atrás apenas da BB DTVM, Itaú, Bradesco e CEF.
Werneck tem uma grande responsabilidade, já que a asset brasileira foi considerada pelo grupo holandês a mais importante entre todos os emergentes neste ano. Hoje, a gestora representa 6% dos 173 bilhões de euros administrados pelo banco no mundo.
Com 22 anos de mercado, o executivo passou pelo Citibank, Rabobank e os últimos sete como executivo do ABN. Também teve uma rápida passagem pelo governo federal, trabalhando na equipe econômica do Ministério da Fazenda entre 1998 e 1999. A seguir, os principais trechos da entrevista que Werneck concedeu com exclusividade ao Valor.
Valor: Há um consenso de que a bolsa será um bom investimento este ano. O que o senhor acha?
Paulo Werneck: Temos projeção do Ibovespa em 45 mil pontos para o fim do ano, calcada em redução de taxa de juros, inflação sob controle e crescimento maior. O cenário é bastante bom. O crescimento mundial será o mesmo do ano passado. Os Estados Unidos aceleram um pouco e Europa fica igual, além da China, que já vem puxando a economia. Isso beneficia as commodities.
Valor: Quais os melhores setores da bolsa neste ano?
Werneck: Comprando Brasil com outros países, tem alguns setores muito bons, como petroquímico, mineração e siderurgia.
Valor: O estrangeiro vem impulsionando a alta da bolsa. Esse fluxo deve continuar?
Werneck: Sim. Em termos de taxa de retorno, o Brasil continua sendo muito atraente. Comparando com Turquia, Leste Europeu e Polônia, o Brasil é o que dá mais tranqüilidade de investir, com um arcabouço institucional que funciona, com um processo democrático tranqüilo. Além disso, onde o estrangeiro vai buscar retornos tão altos? O Brasil tem a melhor relação custo/benefício. O fluxo do câmbio financeiro está explodindo. Se não fosse o Banco Central comprando, o dólar estaria abaixo de R$ 2,00.
Valor: A eleição presidencial deve trazer volatilidade?
Werneck: Num primeiro instante, não teremos volatilidade grande, mas ela deve se acentuar quando tivermos uma definição de quem são os candidatos a presidente e quais os seus planos. Eles começam a ficar mais incisivos em seus discursos, isso acirra a disputa e, por isso, aumenta a volatilidade. Provavelmente não teremos mais um discurso radical destoando dos outros, algo que já aconteceu.
Valor: Com essas projeções tão otimistas para bolsa, o senhor acha que já é momento de oferecer fundos de ações aos clientes de varejo?
Werneck: A Bovespa está fazendo um trabalho interessante, levando informação sobre ações para as pessoas. Isso é importante porque o investidor precisa ter a cultura de investir em bolsa, principalmente o cliente do varejo. A taxa de juros sempre foi alta no Brasil, continua alta, mas à medida que ela for caindo, o apetite por risco aumenta. E não é só isso. Com a queda dos juros, o horizonte de aplicação fica mais longo e a bolsa entra no radar. Mas o investidor precisa entender que é uma aplicação mais arriscada. Hoje, oferecer fundos com gestão ativa de bolsa no varejo é um pouco prematuro.
Valor: Por quê?
Werneck: Porque esse cliente ainda não tem a cultura de bolsa. Um fundo ativo significa que ele pode ter um desempenho diferente do Ibovespa, por exemplo, e o grande público ainda não consegue entender isso. O investidor vê no jornal que Ibovespa subiu 5% e o seu fundo caiu 1%. Ele não consegue entender que o fundo pode ter composição diferente do índice.
Valor: E os fundos passivos, já daria para vendê-los no varejo? A venda não é muito tímida hoje?
Werneck: Para fundos passivos já tem espaço sim. E você tem razão, essa venda no varejo é muito tímida comparada com outros países. Isso vai mudar, mas leva algum tempo. Tem de criar a cultura de bolsa primeiro. É passo a passo. Primeiro o investidor entende o risco de bolsa. Num segundo momento, aplica em fundos passivos e depois entra em carteiras ativas. Para a grande maioria, bolsa ainda é algo muito especulativo. E não é. É baseado em análises fundamentalistas, de longo prazo e eles não têm essa visão.
Valor: E quando o investidor estará pronto para entrar em bolsa?
Werneck: Quando a taxa de juros chegar num nível mais baixo. Esse é o grande empurrão para o cliente entrar em bolsa. Horizonte de mais longo de investimento e taxa de juros caindo é o caminho para desenvolvimento do mercado de capitais. O apetite por risco já está começando. Primeiro vem do investidor mais qualificado - o institucional, o do private -, depois bate no varejo.
Valor: Quanto do patrimônio da ABN Asset está em renda variável?
Werneck: Em torno de 8% do patrimônio total. Muito menos que os 47% que representa dentro dos 173 bilhões de euros administrados pelo ABN no mundo.
Valor: Até onde o senhor acha que esse percentual pode subir?
Werneck: Isso é difícil de saber. Nos EUA e na Europa, por exemplo, a representatividade do mercado de ações é muito maior que o de renda fixa. É o contrário do que ocorre no Brasil. A proporção não é igual (90% ações e 10% renda fixa). O mercado acionário é bem maior. No Brasil, há uma série de melhorias estruturais para serem feitas, mas muita coisa já evoluiu, estamos no caminho certo.
Valor: Além da bolsa, que outros ativos são atrativos?
Werneck: O momento ainda é bom para aplicar em juros, mas teremos uma redução expressiva na taxa, vendo a Selic chegar no fim do ano em 15%. Isso representa juros reais de 10%. O mínimo que o Brasil teve foi 8,5%. Atingindo esse nível ou mais baixo, será ainda mais atraente estar em bolsa, porque teremos mais crescimento econômico. Neste momento, não vejo nada melhor que a bolsa.
Valor: O dólar deve continuar depreciado frente ao real?
Werneck: Estamos vendo o dólar estável este ano fechando em algo como R$ 2,25 ou R$ 2,30. Com a produção destinada ao mercado interno subindo, sustentada pelo consumo local, as exportações caem e o BC pode tirar um pouco o pé das compras de dólar, mas a oscilação será pequena. Não vale a pena como investimento, principalmente comparado com o custo de oportunidade da taxa de juros.
Valor: Os fundos para investidores institucionais possuem taxas de administração bastante baixas, enquanto que no varejo as taxas ainda são altas. Por que isso acontece?
Werneck: Não concordo. Alguns produtos de renda fixa padronizados já estão com taxas bem baixas. Existem fundos DI com taxas entre 0,60% e 1% ao ano. O conceito de alta ou baixa depende do tipo de fundo. Se a finalidade é apenas comprar títulos públicos dá para ser mais condescendente na taxa. Já os fundos que compram títulos de dívida privada, que estão crescendo, exigem uma análise de crédito.
Valor: Com base no ranking global de administradores de recursos da Anbid, de novembro, o ABN está em oitavo lugar com R$ 31,7 bilhões sob administração. Quais os planos do senhor para subir no ranking?
Werneck: Eu divido o ranking em três grandes pedaços: o primeiro, o segundo e o terceiro lugares (BB DTVM, Itaú e Bradesco) são difíceis de competir. Só é possível alcançá-los via uma aquisição. O segundo grupo é o das assets entre R$ 30 bilhões, no qual estamos, e as outras abaixo disso. Estamos brigando nesse bolo dos R$ 30 bilhões. Nesse grupo, a diferença entre as assets é entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão. É nisso que o cliente institucional faz a diferença. O crescimento no varejo é no longo prazo. Já no institucional, um cliente a mais pode representar mais R$ 1 bilhão. Queremos incomodar nossos concorrentes, sem sombra de dúvida.
Valor: Como?
Werneck: Com novos produtos, tanto para o varejo quando para os institucionais. Estamos apostando bastante nisso. A minha idéia é encabeçar essa lista dos R$ 30 bilhões, estando logo em seguida da CEF, que está em quarto lugar. Com a presença do ABN no mundo, temos a possibilidade de transferência de conhecimentos. Pretendemos usar a experiência de países desenvolvidos para vermos como se aplica aqui.
Valor: Existe demanda para novos tipos de investimentos?
Werneck: Sim. O setor ainda está muito concentrado em DI pela própria característica do mercado. Com a queda dos juros, o investidor certamente terá mais interesse por outros fundos. A asset que largar na frente vai ganhar mercado.
Valor: Também há espaço para outros tipos de ativos dentro das carteiras dos fundos?
Werneck: Há espaço para usar mais commodities, por exemplo. Os fundos brasileiros usam só câmbio, juros e bolsa. Mesmo nos multimercados, ganha aquele gestor que tem a melhor capacidade apenas de negociar melhor os três mercados. Ninguém entra em outros ativos. A necessidade de oferecer bons retornos vai forçar os gestores a buscar alternativas. Estamos vendo o crescimento no número de fundos imobiliários, os CRIs, até mesmo títulos de dívida corporativa e os seus derivativos.
Valor: O principal executivo da asset no mundo, Frank Kusse, disse ao Valor recentemente que o Brasil era o principal país emergente na área de administração de recursos do ABN. No entanto, o país não tem dado o retorno esperado. Como isso pode mudar?
Werneck: Quando ele disse isso, tinha acabado de assumir o Brasil sem entender bem que a dinâmica do mercado brasileiro é muito diferente dos mercados desenvolvidos em que a arquitetura aberta, por exemplo, já é algo estabelecido. Enquanto no Brasil isso existe apenas para o private. Também há uma grande diferença entre o peso da renda variável no Brasil e em outros países. Hoje, a opinião dele já é diferente. O Brasil tem uma participação expressiva no resultado global da asset. Todas as metas dos últimos anos foram cumpridas. Em termos de receita/despesa, o Brasil tem uma relação compatível com a dos melhores países.
Matéria publicada no Valor Econômico de 18/01/06.
ABN promete incomodar os concorrentes
Por Daniele Camba De São Paulo
Foto: Fabiano Cerchiari/Valor
Juros em queda, inflação controlada, aceleração do crescimento e fluxo de capital estrangeiro são ingredientes que devem fazer o Índice Bovespa chegar ao fim do ano em 45 mil pontos. Para Paulo Werneck, da ABN Amro Asset Management, esta pode ser a hora certa dos bancos, aos poucos, começarem a oferecer fundos de ações aos clientes de varejo, o que hoje acontece de forma incipiente.
Werneck é hoje o principal executivo da ABN Asset, no lugar de Luiz Maia, que passa a ser consultor para assuntos de sustentabilidade do banco. Com novos tipos de fundos, o executivo promete incomodar os concorrentes e quer transformar a gestora do ABN, hoje na 8ª posição, com R$ 31,7 bilhões, na 5ª maior administradora de recursos do país, atrás apenas da BB DTVM, Itaú, Bradesco e CEF.
Werneck tem uma grande responsabilidade, já que a asset brasileira foi considerada pelo grupo holandês a mais importante entre todos os emergentes neste ano. Hoje, a gestora representa 6% dos 173 bilhões de euros administrados pelo banco no mundo.
Com 22 anos de mercado, o executivo passou pelo Citibank, Rabobank e os últimos sete como executivo do ABN. Também teve uma rápida passagem pelo governo federal, trabalhando na equipe econômica do Ministério da Fazenda entre 1998 e 1999. A seguir, os principais trechos da entrevista que Werneck concedeu com exclusividade ao Valor.
Valor: Há um consenso de que a bolsa será um bom investimento este ano. O que o senhor acha?
Paulo Werneck: Temos projeção do Ibovespa em 45 mil pontos para o fim do ano, calcada em redução de taxa de juros, inflação sob controle e crescimento maior. O cenário é bastante bom. O crescimento mundial será o mesmo do ano passado. Os Estados Unidos aceleram um pouco e Europa fica igual, além da China, que já vem puxando a economia. Isso beneficia as commodities.
Valor: Quais os melhores setores da bolsa neste ano?
Werneck: Comprando Brasil com outros países, tem alguns setores muito bons, como petroquímico, mineração e siderurgia.
Valor: O estrangeiro vem impulsionando a alta da bolsa. Esse fluxo deve continuar?
Werneck: Sim. Em termos de taxa de retorno, o Brasil continua sendo muito atraente. Comparando com Turquia, Leste Europeu e Polônia, o Brasil é o que dá mais tranqüilidade de investir, com um arcabouço institucional que funciona, com um processo democrático tranqüilo. Além disso, onde o estrangeiro vai buscar retornos tão altos? O Brasil tem a melhor relação custo/benefício. O fluxo do câmbio financeiro está explodindo. Se não fosse o Banco Central comprando, o dólar estaria abaixo de R$ 2,00.
Valor: A eleição presidencial deve trazer volatilidade?
Werneck: Num primeiro instante, não teremos volatilidade grande, mas ela deve se acentuar quando tivermos uma definição de quem são os candidatos a presidente e quais os seus planos. Eles começam a ficar mais incisivos em seus discursos, isso acirra a disputa e, por isso, aumenta a volatilidade. Provavelmente não teremos mais um discurso radical destoando dos outros, algo que já aconteceu.
Valor: Com essas projeções tão otimistas para bolsa, o senhor acha que já é momento de oferecer fundos de ações aos clientes de varejo?
Werneck: A Bovespa está fazendo um trabalho interessante, levando informação sobre ações para as pessoas. Isso é importante porque o investidor precisa ter a cultura de investir em bolsa, principalmente o cliente do varejo. A taxa de juros sempre foi alta no Brasil, continua alta, mas à medida que ela for caindo, o apetite por risco aumenta. E não é só isso. Com a queda dos juros, o horizonte de aplicação fica mais longo e a bolsa entra no radar. Mas o investidor precisa entender que é uma aplicação mais arriscada. Hoje, oferecer fundos com gestão ativa de bolsa no varejo é um pouco prematuro.
Valor: Por quê?
Werneck: Porque esse cliente ainda não tem a cultura de bolsa. Um fundo ativo significa que ele pode ter um desempenho diferente do Ibovespa, por exemplo, e o grande público ainda não consegue entender isso. O investidor vê no jornal que Ibovespa subiu 5% e o seu fundo caiu 1%. Ele não consegue entender que o fundo pode ter composição diferente do índice.
Valor: E os fundos passivos, já daria para vendê-los no varejo? A venda não é muito tímida hoje?
Werneck: Para fundos passivos já tem espaço sim. E você tem razão, essa venda no varejo é muito tímida comparada com outros países. Isso vai mudar, mas leva algum tempo. Tem de criar a cultura de bolsa primeiro. É passo a passo. Primeiro o investidor entende o risco de bolsa. Num segundo momento, aplica em fundos passivos e depois entra em carteiras ativas. Para a grande maioria, bolsa ainda é algo muito especulativo. E não é. É baseado em análises fundamentalistas, de longo prazo e eles não têm essa visão.
Valor: E quando o investidor estará pronto para entrar em bolsa?
Werneck: Quando a taxa de juros chegar num nível mais baixo. Esse é o grande empurrão para o cliente entrar em bolsa. Horizonte de mais longo de investimento e taxa de juros caindo é o caminho para desenvolvimento do mercado de capitais. O apetite por risco já está começando. Primeiro vem do investidor mais qualificado - o institucional, o do private -, depois bate no varejo.
Valor: Quanto do patrimônio da ABN Asset está em renda variável?
Werneck: Em torno de 8% do patrimônio total. Muito menos que os 47% que representa dentro dos 173 bilhões de euros administrados pelo ABN no mundo.
Valor: Até onde o senhor acha que esse percentual pode subir?
Werneck: Isso é difícil de saber. Nos EUA e na Europa, por exemplo, a representatividade do mercado de ações é muito maior que o de renda fixa. É o contrário do que ocorre no Brasil. A proporção não é igual (90% ações e 10% renda fixa). O mercado acionário é bem maior. No Brasil, há uma série de melhorias estruturais para serem feitas, mas muita coisa já evoluiu, estamos no caminho certo.
Valor: Além da bolsa, que outros ativos são atrativos?
Werneck: O momento ainda é bom para aplicar em juros, mas teremos uma redução expressiva na taxa, vendo a Selic chegar no fim do ano em 15%. Isso representa juros reais de 10%. O mínimo que o Brasil teve foi 8,5%. Atingindo esse nível ou mais baixo, será ainda mais atraente estar em bolsa, porque teremos mais crescimento econômico. Neste momento, não vejo nada melhor que a bolsa.
Valor: O dólar deve continuar depreciado frente ao real?
Werneck: Estamos vendo o dólar estável este ano fechando em algo como R$ 2,25 ou R$ 2,30. Com a produção destinada ao mercado interno subindo, sustentada pelo consumo local, as exportações caem e o BC pode tirar um pouco o pé das compras de dólar, mas a oscilação será pequena. Não vale a pena como investimento, principalmente comparado com o custo de oportunidade da taxa de juros.
Valor: Os fundos para investidores institucionais possuem taxas de administração bastante baixas, enquanto que no varejo as taxas ainda são altas. Por que isso acontece?
Werneck: Não concordo. Alguns produtos de renda fixa padronizados já estão com taxas bem baixas. Existem fundos DI com taxas entre 0,60% e 1% ao ano. O conceito de alta ou baixa depende do tipo de fundo. Se a finalidade é apenas comprar títulos públicos dá para ser mais condescendente na taxa. Já os fundos que compram títulos de dívida privada, que estão crescendo, exigem uma análise de crédito.
Valor: Com base no ranking global de administradores de recursos da Anbid, de novembro, o ABN está em oitavo lugar com R$ 31,7 bilhões sob administração. Quais os planos do senhor para subir no ranking?
Werneck: Eu divido o ranking em três grandes pedaços: o primeiro, o segundo e o terceiro lugares (BB DTVM, Itaú e Bradesco) são difíceis de competir. Só é possível alcançá-los via uma aquisição. O segundo grupo é o das assets entre R$ 30 bilhões, no qual estamos, e as outras abaixo disso. Estamos brigando nesse bolo dos R$ 30 bilhões. Nesse grupo, a diferença entre as assets é entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão. É nisso que o cliente institucional faz a diferença. O crescimento no varejo é no longo prazo. Já no institucional, um cliente a mais pode representar mais R$ 1 bilhão. Queremos incomodar nossos concorrentes, sem sombra de dúvida.
Valor: Como?
Werneck: Com novos produtos, tanto para o varejo quando para os institucionais. Estamos apostando bastante nisso. A minha idéia é encabeçar essa lista dos R$ 30 bilhões, estando logo em seguida da CEF, que está em quarto lugar. Com a presença do ABN no mundo, temos a possibilidade de transferência de conhecimentos. Pretendemos usar a experiência de países desenvolvidos para vermos como se aplica aqui.
Valor: Existe demanda para novos tipos de investimentos?
Werneck: Sim. O setor ainda está muito concentrado em DI pela própria característica do mercado. Com a queda dos juros, o investidor certamente terá mais interesse por outros fundos. A asset que largar na frente vai ganhar mercado.
Valor: Também há espaço para outros tipos de ativos dentro das carteiras dos fundos?
Werneck: Há espaço para usar mais commodities, por exemplo. Os fundos brasileiros usam só câmbio, juros e bolsa. Mesmo nos multimercados, ganha aquele gestor que tem a melhor capacidade apenas de negociar melhor os três mercados. Ninguém entra em outros ativos. A necessidade de oferecer bons retornos vai forçar os gestores a buscar alternativas. Estamos vendo o crescimento no número de fundos imobiliários, os CRIs, até mesmo títulos de dívida corporativa e os seus derivativos.
Valor: O principal executivo da asset no mundo, Frank Kusse, disse ao Valor recentemente que o Brasil era o principal país emergente na área de administração de recursos do ABN. No entanto, o país não tem dado o retorno esperado. Como isso pode mudar?
Werneck: Quando ele disse isso, tinha acabado de assumir o Brasil sem entender bem que a dinâmica do mercado brasileiro é muito diferente dos mercados desenvolvidos em que a arquitetura aberta, por exemplo, já é algo estabelecido. Enquanto no Brasil isso existe apenas para o private. Também há uma grande diferença entre o peso da renda variável no Brasil e em outros países. Hoje, a opinião dele já é diferente. O Brasil tem uma participação expressiva no resultado global da asset. Todas as metas dos últimos anos foram cumpridas. Em termos de receita/despesa, o Brasil tem uma relação compatível com a dos melhores países.
Monday, January 16, 2006
BBM Asset Management
Artigo publicado no Valor Econômico de 16/01/06.
Ex-diretor do BC assume gestora do Banco BBM
Por Catherine Vieira Do Rio
Foto: Leo Pinheiro/Valor
Mais uma gestora de recursos passa a ter um ex-diretor do Banco Central (BC) no comando. Beny Parnes, também professor da PUC-Rio, está no BBM desde 1991, mas pela primeira vez assume a área de administração de recursos do banco, que tem um volume administrado de cerca de R$ 2 bilhões. Nos anos de 2002 e 2003, Parnes se afastou do banco carioca para assumir a diretoria internacional do BC.
Durante o ano passado, o BBM promoveu uma reestruturação no seu segmento de administração de recursos, que foi reincorporado ao banco. Durante um período de quase dois anos, a gestora transformou-se numa sociedade à parte do banco, ainda que tocada por Bruno Mariani, da família Mariani, donos do BBM.
Com o ex-diretor do BC no comando, o BBM passa a ter também Júlio Fernandes como gestor de renda fixa, André Spolidoro na renda variável e Tomás Brisola chefiando a área de análise. "Nós investimos muito em capital humano, em pessoal qualificado", diz Parnes. "Além disso meu perfil sempre foi da área de pesquisa, análise, então é inevitável que esse aspecto passe a ser cada vez mais forte aqui no asset". Ele ressalta que manterá a filosofia do banco, que é a da preservação do capital, da permanência, do longo prazo. "O BBM é uma instituição que vai fazer 150 anos", completou o economista.
Nos números, as mudanças já trazem reflexos positivos. Depois de sofrer, como a maioria dos gestores que focam em fundos diferenciados e multimercados, o BBM começou a recuperar a rentabilidade no segundo semestre de 2002. O BBM High Yield foi um dos fundos mais rentáveis da categoria no segundo semestre do ano passado, com ganhos de 17,16% no período, o equivalente a 185% do CDI. O mais jovem fundo da carteira, o BBM Valuation, bateu também o Ibovespa e fechou o ano passado com ganho de 34%. Um novo fundo deve ser lançado, com perfil mais agressivo e carência para os resgates, uma nova tendência do segmento de multimercados.
Apesar de continuar bastante concentrado no segmento de pessoas físicas com perfil de private banking e de manter a filosofia de clientes com perfil de longo prazo, o BBM também já possui na carteira investidores institucionais e pessoas jurídicas.
O plano agora é expandir as fronteiras, aproveitando os novos escritórios abertos pelo banco em outras praças, como Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Campinas. "Vamos aproveitar esses escritórios para fazer um esforço de captação também nessas praças, por isso estamos recrutando cerca de sete pessoas para atuar nesse segmento de private banking", explica Patrícia Carvalho, que comanda a área comercial da gestora de recursos do BBM. Os fundos são administrados pela própria equipe de gestores do BBM e exigem aplicação mínima de R$ 50 mil.
Para Parnes, que sempre atuou mais na análise ou na área internacional (diretoria que ocupou no Banco Central), o cenário para a economia brasileira neste ano é muito bom e o país reúne várias condições positivas como em poucos momentos ocorreu. "Reduzimos nossa vulnerabilidade, há um movimento de corte de juro em curso", diz Parnes. "Mas, olhando o longo prazo, precisamos retomar as reformas com seriedade se quisermos ter um crescimento sustentado em níveis mais elevados", concluiu.
Artigo publicado no Valor Econômico de 16/01/06.
Ex-diretor do BC assume gestora do Banco BBM
Por Catherine Vieira Do Rio
Foto: Leo Pinheiro/Valor
Mais uma gestora de recursos passa a ter um ex-diretor do Banco Central (BC) no comando. Beny Parnes, também professor da PUC-Rio, está no BBM desde 1991, mas pela primeira vez assume a área de administração de recursos do banco, que tem um volume administrado de cerca de R$ 2 bilhões. Nos anos de 2002 e 2003, Parnes se afastou do banco carioca para assumir a diretoria internacional do BC.
Durante o ano passado, o BBM promoveu uma reestruturação no seu segmento de administração de recursos, que foi reincorporado ao banco. Durante um período de quase dois anos, a gestora transformou-se numa sociedade à parte do banco, ainda que tocada por Bruno Mariani, da família Mariani, donos do BBM.
Com o ex-diretor do BC no comando, o BBM passa a ter também Júlio Fernandes como gestor de renda fixa, André Spolidoro na renda variável e Tomás Brisola chefiando a área de análise. "Nós investimos muito em capital humano, em pessoal qualificado", diz Parnes. "Além disso meu perfil sempre foi da área de pesquisa, análise, então é inevitável que esse aspecto passe a ser cada vez mais forte aqui no asset". Ele ressalta que manterá a filosofia do banco, que é a da preservação do capital, da permanência, do longo prazo. "O BBM é uma instituição que vai fazer 150 anos", completou o economista.
Nos números, as mudanças já trazem reflexos positivos. Depois de sofrer, como a maioria dos gestores que focam em fundos diferenciados e multimercados, o BBM começou a recuperar a rentabilidade no segundo semestre de 2002. O BBM High Yield foi um dos fundos mais rentáveis da categoria no segundo semestre do ano passado, com ganhos de 17,16% no período, o equivalente a 185% do CDI. O mais jovem fundo da carteira, o BBM Valuation, bateu também o Ibovespa e fechou o ano passado com ganho de 34%. Um novo fundo deve ser lançado, com perfil mais agressivo e carência para os resgates, uma nova tendência do segmento de multimercados.
Apesar de continuar bastante concentrado no segmento de pessoas físicas com perfil de private banking e de manter a filosofia de clientes com perfil de longo prazo, o BBM também já possui na carteira investidores institucionais e pessoas jurídicas.
O plano agora é expandir as fronteiras, aproveitando os novos escritórios abertos pelo banco em outras praças, como Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Campinas. "Vamos aproveitar esses escritórios para fazer um esforço de captação também nessas praças, por isso estamos recrutando cerca de sete pessoas para atuar nesse segmento de private banking", explica Patrícia Carvalho, que comanda a área comercial da gestora de recursos do BBM. Os fundos são administrados pela própria equipe de gestores do BBM e exigem aplicação mínima de R$ 50 mil.
Para Parnes, que sempre atuou mais na análise ou na área internacional (diretoria que ocupou no Banco Central), o cenário para a economia brasileira neste ano é muito bom e o país reúne várias condições positivas como em poucos momentos ocorreu. "Reduzimos nossa vulnerabilidade, há um movimento de corte de juro em curso", diz Parnes. "Mas, olhando o longo prazo, precisamos retomar as reformas com seriedade se quisermos ter um crescimento sustentado em níveis mais elevados", concluiu.
Wednesday, January 11, 2006
Saga
Matéria publicada no Valor Econômico de 11 de Janeiro.
Saga abre carteira de olho na recuperação de multimercado
Catherine Vieira Do Rio
Depois de alguns anos difíceis para os multimercados - que registraram fortes resgates nos últimos três anos -, a expectativa de aumento de volatilidade, costumeira em anos eleitorais, já anima novos gestores a abrir as portas para a captação de recursos de terceiros. É o que vem acontecendo com a Saga Investimentos. O multimercado, que já vinha operando recursos próprios para montar um histórico de cotas e desde o fim do ano passado, já aceita novos cotistas em seu fundo multimercado tradicional, o Saga AGC e no fundo de fundos Saga Albatroz.
Instalada na Barra da Tijuca, para onde muitos gestores têm migrado nos últimos tempos, a Saga é liderada por Carlos Carvalho Júnior, ex-Bankers Trust e Icatu, e que já está na estrada independente há algum tempo, desde que montou a Macro Asset Management (que hoje se chama Questus). Junto com os sócios Rafael Icaza (ex-UBS) e Luiz Felipe Urquiza (ex-BofA e Mellon), Carvalho investe num modelo de multimercado mais focado no mercado de ações, sua especialidade desde os tempos de Icatu.
Apesar de não ter fugido à regra de 2005, quando os multimercados atravessaram um período de ganhos menores, o Saga AGC apresenta ganhos de 132% do CDI desde seu início, em setembro de 2003. "Este ano começou bem para os multimercados e acredito que vai haver um aumento de volatilidade, que deve beneficiar mais esse segmento", disse Carvalho.
Segundo ele, os fundos multimercados podem acabar se tornando mais interessantes porque neste tipo de carteira o gestor pode sair mais rápido de determinados investimentos no caso de uma reversão de tendência. "A bolsa já não está mais tão barata quanto era e, se ocorrer uma mudança de rumo, o multimercado sofre menos que os fundos de ações, mas ao mesmo tempo pode aproveitar oportunidades na renda variável", diz.
Carvalho explica que o fundo Saga AGC está agora com uma volatilidade em torno de 2%, mas que a previsão é que essa média seja maior em períodos mais longos. "A idéia é ficar com oscilação em torno de 5% no ano", diz. "Usamos uma estratégia de multimercado convencional, com foco grande em renda variável, mas sem correlação com nenhum mercado específico".
A administração e a custódia dos fundos ficam a cargo do Pactual e a taxa de administração do multimercado é de 2%, mais a performance de 25% sobre o que exceder o CDI. A aplicação mínima é de R$ 50 mil. Já no fundo de fundos, a taxa de administração é de 1%, mais 20% de taxa de performance sobre o que exceder o CDI e a aplicação mínima é mais elevada, de R$ 100 mil.
Matéria publicada no Valor Econômico de 11 de Janeiro.
Saga abre carteira de olho na recuperação de multimercado
Catherine Vieira Do Rio
Depois de alguns anos difíceis para os multimercados - que registraram fortes resgates nos últimos três anos -, a expectativa de aumento de volatilidade, costumeira em anos eleitorais, já anima novos gestores a abrir as portas para a captação de recursos de terceiros. É o que vem acontecendo com a Saga Investimentos. O multimercado, que já vinha operando recursos próprios para montar um histórico de cotas e desde o fim do ano passado, já aceita novos cotistas em seu fundo multimercado tradicional, o Saga AGC e no fundo de fundos Saga Albatroz.
Instalada na Barra da Tijuca, para onde muitos gestores têm migrado nos últimos tempos, a Saga é liderada por Carlos Carvalho Júnior, ex-Bankers Trust e Icatu, e que já está na estrada independente há algum tempo, desde que montou a Macro Asset Management (que hoje se chama Questus). Junto com os sócios Rafael Icaza (ex-UBS) e Luiz Felipe Urquiza (ex-BofA e Mellon), Carvalho investe num modelo de multimercado mais focado no mercado de ações, sua especialidade desde os tempos de Icatu.
Apesar de não ter fugido à regra de 2005, quando os multimercados atravessaram um período de ganhos menores, o Saga AGC apresenta ganhos de 132% do CDI desde seu início, em setembro de 2003. "Este ano começou bem para os multimercados e acredito que vai haver um aumento de volatilidade, que deve beneficiar mais esse segmento", disse Carvalho.
Segundo ele, os fundos multimercados podem acabar se tornando mais interessantes porque neste tipo de carteira o gestor pode sair mais rápido de determinados investimentos no caso de uma reversão de tendência. "A bolsa já não está mais tão barata quanto era e, se ocorrer uma mudança de rumo, o multimercado sofre menos que os fundos de ações, mas ao mesmo tempo pode aproveitar oportunidades na renda variável", diz.
Carvalho explica que o fundo Saga AGC está agora com uma volatilidade em torno de 2%, mas que a previsão é que essa média seja maior em períodos mais longos. "A idéia é ficar com oscilação em torno de 5% no ano", diz. "Usamos uma estratégia de multimercado convencional, com foco grande em renda variável, mas sem correlação com nenhum mercado específico".
A administração e a custódia dos fundos ficam a cargo do Pactual e a taxa de administração do multimercado é de 2%, mais a performance de 25% sobre o que exceder o CDI. A aplicação mínima é de R$ 50 mil. Já no fundo de fundos, a taxa de administração é de 1%, mais 20% de taxa de performance sobre o que exceder o CDI e a aplicação mínima é mais elevada, de R$ 100 mil.
Explosão dos Long/Short
Segue matéria publicada no Valor Econômico de 11 de Janeiro sobre o aumento dos fundos Long/Short.
Correção de rota
Por Daniele Camba e Angelo Pavini
De São Paulo
O bom desempenho da bolsa está levando as administradoras de recursos independentes a mudarem suas estratégias, aumentando o foco em renda variável. A conseqüência é uma verdadeira proliferação no número de fundos multimercados dedicados a fazer arbitragens de ações, conhecidos como long/short. Essa tendência também vem causando mudanças na própria estrutura das assets, que estão criando áreas específicas de bolsa e times de analistas de ações.
Um dos motivos está no desempenho dos fundos de arbitragem. Estudo com os gestores independentes com patrimônio acima de R$ 10 milhões feito pelo Valor com dados do site Fortuna indicam resultados em 2005 bem acima dos 19% do CDI. Já nos fundos multimercados em geral, a média está mais perto dos 20%. Isso se reflete também na captação, onde, com algumas exceções como Claritas, Mauá e Opus, os multimercados tradicionais perderam recursos enquanto os long/shorts ganharam.
A decisão de trilhar um novo caminho veio principalmente depois da rentabilidade abaixo do CDI que os multimercados com estratégias macroeconômicas (que tenta acertar os movimentos dos mercados e da economia) registraram e dos resgates que se seguiram nos últimos dois anos. Entre as que mudaram está a Fides Asset Management, uma gestora carioca que desde a sua criação, em 2002, tinha como carro-chefe um multimercado macroeconômico. Após a saída de um dos sócios (Cesar Trotte), que montou uma nova asset - a Mandarim - e levou junto o multimercado, a Fides resolveu concentrar esforços em novas carteiras de bolsa e em long/short.
Alguns dias depois foi a vez da Quest Investimentos anunciar a montagem de uma área de bolsa e o lançamento também de uma aplicação do tipo. Em junho passado, ela já tinha lançado um fundo de ações. Esta semana, a Modal Asset Management tornou público os planos de aumentar a participação da renda variável dentro do seu portfólio, começando com uma carteira de arbitragem.
Um dos fatores que levaram as assets independentes a mudar suas estratégias de fundos multimercados direcionais para carteiras com maior concentração em bolsa é a ausência de uma tendência definida nos principais mercados nos últimos dois anos. Os anos de 2001, 2002 e 2003 foram um período de ouro para os multimercados, que conseguiram ganhos fáceis com a taxa de juros, lembra o sócio da "family office" Tag Investimentos, Thiago de Castro. "Os fundos fizeram grandes investimentos em renda fixa e só esperaram a taxa de juros cair", diz. Já em 2004 e 2005, apesar do início do processo de queda da Selic, as possibilidades de ganhos ficaram escassas.
Foi nesse cenário sem prêmios em outros ativos e sem um norte definido que os fundos long/short acabaram despontando, já que ganham com a arbitragem de preços entre as ações. Independente do mercado ter ou não uma tendência, sempre há distorções entre papéis da bolsa, que podem representar bons ganhos para quem descobri-las.
Um fundo long/short procura ganhar com as distorções de preços entre as ações. Por exemplo, entre ordinárias e preferenciais de uma mesma empresa (comprando a descontada e vendendo a que já se valorizou), entre holding e operadora, entre companhias do mesmo setor ou de setores diferentes.
Para fechar o quadro à favor dessas carteiras, a bolsa subiu nos últimos três anos e tem fortes motivos para entrar para a história com este sendo o quarto ano de valorização. Para o diretor da Modal Asset, Alexandre Póvoa, os long/short são a maneira ideal do investidor aproveitar o bom momento da bolsa, mas ainda ter um pé na renda fixa, já que, diferente dos fundos de ações, os multimercados não precisam ficar o tempo todo com posições em renda variável. Enquanto o juro real (descontado a inflação) estiver acima de 8% ao ano, o investidor preferirá um fundo que não fique 100% exposto à bolsa.
Os analistas alertam, no entanto, para a qualidade do crescimento dos fundos de arbitragem, que exigem uma boa área de análise. "De todas as gestoras de long/short, cerca de 20% atendem a esse requisito", diz Castro, da Tag. "Muito gestor que não entende de ações lançou esse tipo de fundo porque virou moda." Outro alerta é com relação ao tamanho dos fundos que, exatamente por lidarem com arbitragem, precisam ter agilidade para comprar e vender ações rapidamente. O investidor precisa estar consciente que, como esse tipo de fundo fica vendido em ações (aluga os papéis para vendê-las), ele sofre mais que um fundo comum quando a bolsa cai.
O ano passado foi bom para esse tipo de estratégia pois havia setores na bolsa indo bem e outros não, o que tornou relativamente fácil obter retornos na arbitragem de ações, diz Dany Rappaport, da Investport Consultoria de Gestão. Ele chama a atenção, porém, que no segundo semestre, os resultados dos fundos macroeconômicos melhoraram e isso deve significar aumento de captação neste início de ano. Mas, no geral, o ano não foi bom para os multimercados e isso levou às mudanças dos gestores, que devem continuar.
No tiroteio de 2005, algumas casas se destacaram, com bom desempenho, como a Polo, a Neo Investimentos, a Mauá Asset Management (do ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, que captou mais de R$ 700 milhões em um ano) e Claritas Investimentos, que teve fortes perdas de patrimônio em 2004 e deu a volta por cima em 2005, fechando com uma das melhores rentabilidades.
Outros gestores respeitados, porém, sofreram com os saques, caso da GAP, da Fidúcia Asset Management, do Pátria e da GP Investimentos - esta última terminou por fechar um dos fundos, o Petrópolis, mantendo apenas o Petrópolis Plus. Rappaport considera esse movimento de crescimento e redução natural. "É um mercado que incha e desincha, no mundo inteiro é assim", afirma. Ele reconhece que aqui esse movimento é ampliado pela concentração grande de distribuidores em private banks, que quando resgatam desequilibram as carteiras, além da liquidez diária dos fundos e de clientes pouco acostumados à volatilidade. Mas no fim, o que pesa, aqui e no resto do mundo é a capacidade do gestor de fazer o fundo render mais. "O que é uma pena pois o investidor acaba olhando mais para o passado e achando que vai ser o mesmo no futuro."
Estratégias de arbitragem foram as grandes vencedoras
De São Paulo
Um dos principais destaques do ano entre os independentes foi o resultado dos fundos de arbitragem da Polo Capital. O Polo HG FIA, classificado como long/short, acumulou no ano passado alta de 45,79% e o Polo Norte, de 28,09% - ambos bem acima do CDI, de 19% no período. Marcos Duarte, sócio da gestora, explica que o Polo HG é um fundo long/short diferenciado. Ele reúne a maioria das estratégias de arbitragem, com apostas em ações do mesmo setor ou de setores diferentes, de papéis ordinários com preferenciais de uma mesma empresa ou da holding contra a subsidiária. Mas uma estratégia que fez a carteira render mais no ano passado foi a de buscar eventos que mexessem com os papéis ("event driven"). "Ganhamos muito com operações envolvendo a reestruturação da operadora de telefonia celular Vivo", diz Duarte. O fundo aproveitou que papéis das subsidiárias da Telesp Celular estavam sendo negociadas com desconto e, quando a reestruturação saiu, o fundo teve um forte retorno.
Duarte diz que grande parte das apostas do Polo FIA é em torno de eventos que envolvam as empresas. E são operações longas, de seis meses a um ano, que vêm garantindo um retorno nos últimos três anos de cerca de 200% do CDI. Duarte deixa claro, porém, que o investidor que aplica nos fundos da Polo deve estar preparado para uma volatilidade maior. No caso do Polo HG, essa volatilidade é de 12% a 15% ao ano, enquanto no Polo Norte, que segue a carteira do HG, é de 4%.
A moda dos long/short, porém, pode criar problemas no futuro. Muitas assets se reestruturaram para se concentrar em ações e perderam o pessoal de macroeconomia, o que pode ser prejudicial, avalia Dany Rappaport, da Investport. "Neste ano, bons analistas de câmbio e juros devem ser muito importantes", afirma. Rappaport acha que os fundos macroeconômicos devem voltar a ter importância e retornos neste ano, tanto que o fundo de fundos da Investport ampliou a parcela nessas carteiras, para 55%, deixando 38% para os long/short. Em setembro, a carteira tinha 50% long/short e 30% em fundos DI.
"Os mercados este ano tendem a apresentar tendência mais clara, beneficiando os fundos macro", diz Fernando Ganme, sócio da consultoria Capital . Prova disso é o desempenho médio positivo dos fundos macro nos últimos três meses. Isso deve ocorrer exatamente pela definição de um cenário de crescimento econômico. (AP)
Segue matéria publicada no Valor Econômico de 11 de Janeiro sobre o aumento dos fundos Long/Short.
Correção de rota
Por Daniele Camba e Angelo Pavini
De São Paulo
O bom desempenho da bolsa está levando as administradoras de recursos independentes a mudarem suas estratégias, aumentando o foco em renda variável. A conseqüência é uma verdadeira proliferação no número de fundos multimercados dedicados a fazer arbitragens de ações, conhecidos como long/short. Essa tendência também vem causando mudanças na própria estrutura das assets, que estão criando áreas específicas de bolsa e times de analistas de ações.
Um dos motivos está no desempenho dos fundos de arbitragem. Estudo com os gestores independentes com patrimônio acima de R$ 10 milhões feito pelo Valor com dados do site Fortuna indicam resultados em 2005 bem acima dos 19% do CDI. Já nos fundos multimercados em geral, a média está mais perto dos 20%. Isso se reflete também na captação, onde, com algumas exceções como Claritas, Mauá e Opus, os multimercados tradicionais perderam recursos enquanto os long/shorts ganharam.
A decisão de trilhar um novo caminho veio principalmente depois da rentabilidade abaixo do CDI que os multimercados com estratégias macroeconômicas (que tenta acertar os movimentos dos mercados e da economia) registraram e dos resgates que se seguiram nos últimos dois anos. Entre as que mudaram está a Fides Asset Management, uma gestora carioca que desde a sua criação, em 2002, tinha como carro-chefe um multimercado macroeconômico. Após a saída de um dos sócios (Cesar Trotte), que montou uma nova asset - a Mandarim - e levou junto o multimercado, a Fides resolveu concentrar esforços em novas carteiras de bolsa e em long/short.
Alguns dias depois foi a vez da Quest Investimentos anunciar a montagem de uma área de bolsa e o lançamento também de uma aplicação do tipo. Em junho passado, ela já tinha lançado um fundo de ações. Esta semana, a Modal Asset Management tornou público os planos de aumentar a participação da renda variável dentro do seu portfólio, começando com uma carteira de arbitragem.
Um dos fatores que levaram as assets independentes a mudar suas estratégias de fundos multimercados direcionais para carteiras com maior concentração em bolsa é a ausência de uma tendência definida nos principais mercados nos últimos dois anos. Os anos de 2001, 2002 e 2003 foram um período de ouro para os multimercados, que conseguiram ganhos fáceis com a taxa de juros, lembra o sócio da "family office" Tag Investimentos, Thiago de Castro. "Os fundos fizeram grandes investimentos em renda fixa e só esperaram a taxa de juros cair", diz. Já em 2004 e 2005, apesar do início do processo de queda da Selic, as possibilidades de ganhos ficaram escassas.
Foi nesse cenário sem prêmios em outros ativos e sem um norte definido que os fundos long/short acabaram despontando, já que ganham com a arbitragem de preços entre as ações. Independente do mercado ter ou não uma tendência, sempre há distorções entre papéis da bolsa, que podem representar bons ganhos para quem descobri-las.
Um fundo long/short procura ganhar com as distorções de preços entre as ações. Por exemplo, entre ordinárias e preferenciais de uma mesma empresa (comprando a descontada e vendendo a que já se valorizou), entre holding e operadora, entre companhias do mesmo setor ou de setores diferentes.
Para fechar o quadro à favor dessas carteiras, a bolsa subiu nos últimos três anos e tem fortes motivos para entrar para a história com este sendo o quarto ano de valorização. Para o diretor da Modal Asset, Alexandre Póvoa, os long/short são a maneira ideal do investidor aproveitar o bom momento da bolsa, mas ainda ter um pé na renda fixa, já que, diferente dos fundos de ações, os multimercados não precisam ficar o tempo todo com posições em renda variável. Enquanto o juro real (descontado a inflação) estiver acima de 8% ao ano, o investidor preferirá um fundo que não fique 100% exposto à bolsa.
Os analistas alertam, no entanto, para a qualidade do crescimento dos fundos de arbitragem, que exigem uma boa área de análise. "De todas as gestoras de long/short, cerca de 20% atendem a esse requisito", diz Castro, da Tag. "Muito gestor que não entende de ações lançou esse tipo de fundo porque virou moda." Outro alerta é com relação ao tamanho dos fundos que, exatamente por lidarem com arbitragem, precisam ter agilidade para comprar e vender ações rapidamente. O investidor precisa estar consciente que, como esse tipo de fundo fica vendido em ações (aluga os papéis para vendê-las), ele sofre mais que um fundo comum quando a bolsa cai.
O ano passado foi bom para esse tipo de estratégia pois havia setores na bolsa indo bem e outros não, o que tornou relativamente fácil obter retornos na arbitragem de ações, diz Dany Rappaport, da Investport Consultoria de Gestão. Ele chama a atenção, porém, que no segundo semestre, os resultados dos fundos macroeconômicos melhoraram e isso deve significar aumento de captação neste início de ano. Mas, no geral, o ano não foi bom para os multimercados e isso levou às mudanças dos gestores, que devem continuar.
No tiroteio de 2005, algumas casas se destacaram, com bom desempenho, como a Polo, a Neo Investimentos, a Mauá Asset Management (do ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, que captou mais de R$ 700 milhões em um ano) e Claritas Investimentos, que teve fortes perdas de patrimônio em 2004 e deu a volta por cima em 2005, fechando com uma das melhores rentabilidades.
Outros gestores respeitados, porém, sofreram com os saques, caso da GAP, da Fidúcia Asset Management, do Pátria e da GP Investimentos - esta última terminou por fechar um dos fundos, o Petrópolis, mantendo apenas o Petrópolis Plus. Rappaport considera esse movimento de crescimento e redução natural. "É um mercado que incha e desincha, no mundo inteiro é assim", afirma. Ele reconhece que aqui esse movimento é ampliado pela concentração grande de distribuidores em private banks, que quando resgatam desequilibram as carteiras, além da liquidez diária dos fundos e de clientes pouco acostumados à volatilidade. Mas no fim, o que pesa, aqui e no resto do mundo é a capacidade do gestor de fazer o fundo render mais. "O que é uma pena pois o investidor acaba olhando mais para o passado e achando que vai ser o mesmo no futuro."
Estratégias de arbitragem foram as grandes vencedoras
De São Paulo
Um dos principais destaques do ano entre os independentes foi o resultado dos fundos de arbitragem da Polo Capital. O Polo HG FIA, classificado como long/short, acumulou no ano passado alta de 45,79% e o Polo Norte, de 28,09% - ambos bem acima do CDI, de 19% no período. Marcos Duarte, sócio da gestora, explica que o Polo HG é um fundo long/short diferenciado. Ele reúne a maioria das estratégias de arbitragem, com apostas em ações do mesmo setor ou de setores diferentes, de papéis ordinários com preferenciais de uma mesma empresa ou da holding contra a subsidiária. Mas uma estratégia que fez a carteira render mais no ano passado foi a de buscar eventos que mexessem com os papéis ("event driven"). "Ganhamos muito com operações envolvendo a reestruturação da operadora de telefonia celular Vivo", diz Duarte. O fundo aproveitou que papéis das subsidiárias da Telesp Celular estavam sendo negociadas com desconto e, quando a reestruturação saiu, o fundo teve um forte retorno.
Duarte diz que grande parte das apostas do Polo FIA é em torno de eventos que envolvam as empresas. E são operações longas, de seis meses a um ano, que vêm garantindo um retorno nos últimos três anos de cerca de 200% do CDI. Duarte deixa claro, porém, que o investidor que aplica nos fundos da Polo deve estar preparado para uma volatilidade maior. No caso do Polo HG, essa volatilidade é de 12% a 15% ao ano, enquanto no Polo Norte, que segue a carteira do HG, é de 4%.
A moda dos long/short, porém, pode criar problemas no futuro. Muitas assets se reestruturaram para se concentrar em ações e perderam o pessoal de macroeconomia, o que pode ser prejudicial, avalia Dany Rappaport, da Investport. "Neste ano, bons analistas de câmbio e juros devem ser muito importantes", afirma. Rappaport acha que os fundos macroeconômicos devem voltar a ter importância e retornos neste ano, tanto que o fundo de fundos da Investport ampliou a parcela nessas carteiras, para 55%, deixando 38% para os long/short. Em setembro, a carteira tinha 50% long/short e 30% em fundos DI.
"Os mercados este ano tendem a apresentar tendência mais clara, beneficiando os fundos macro", diz Fernando Ganme, sócio da consultoria Capital . Prova disso é o desempenho médio positivo dos fundos macro nos últimos três meses. Isso deve ocorrer exatamente pela definição de um cenário de crescimento econômico. (AP)
Thursday, December 29, 2005
Fundo ISE do HSBC
Matéria publicada em 29/12/05 no Valor Econômico
HSBC cria fundo de ações atrelado ao ISE
Por Angelo Pavini De São Paulo
Antes de completar um mês da criação do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que leva em conta questões sócio-ambientais e de governança na seleção das empresas que o compõem, a HSBC Investments lança um fundo atrelado ao indicador. O HSBC Fundo de Investimento em Ações ISE começa a receber aplicações na segunda-feira e reproduzirá em sua carteira os papéis do índice. A aplicação mínima é de R$ 1 mil e a movimentação, de R$ 100. A taxa de administração será de 2,5% ao ano.
Este é o segundo fundo criado com base no ISE. O primeiro foi o BB Ações ISE, do Banco do Brasil, que acumula captação de R$ 1,845 milhão. Apenas dois outros bancos possuem fundos que levam em conta a sustentabilidade, o ABN Amro, com o Ethical, e o Itaú, com o Excelência Social.
O ISE foi criado no fim de novembro a partir de um acordo entre a Bolsa de Valores de São Paulo, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) e o International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial (Bird). O índice começou a ser calculado no dia 1º de dezembro.
A idéia de criar um fundo de sustentabilidade já era antiga, diz Fernando Meibak de Oliveira, responsável pela HSBC Investments. Por isso, ele acompanhou atentamente a estruturação do ISE, até porque um dos principais gestores da HSBC Investments, Luiz Ribeiro, era do IFC e participou da elaboração do índice.
Meibak acredita que é importante oferecer esse tipo de fundo para os clientes e, por isso, o banco decidiu fazer no primeiro trimestre de 2006 vários eventos nas principais cidades do país em parceria com o GVces. "Queremos divulgar o conceito da sustentabilidade para investidores institucionais, do private bank e do varejo", diz. A proposta é aproveitar o período em que os investidores, especialmente os institucionais, estão revendo suas estratégias de aplicação para o ano. Meibak lembra que hoje a maioria desses investidores usa como referencial para os ganhos de suas carteiras os índices Ibovespa e o Índice Brasil (IBrX) 100 ou 50. "Primeiro temos de convencer os investidores da importância de usar o ISE como referencial também", explica.
Um dos problemas do ISE é que hoje, ele é muito concentrado no setor financeiro, admite Luiz Ribeiro. Mas ele lembra que é um efeito inevitável uma vez que o setor de serviços tem um impacto muito menor no meio ambiente do que o industrial, por exemplo. "Mas acredito que isso será minimizado no futuro, com o ISE ganhando força e mais empresas respondendo aos questionários da GVces para entrar no índice", afirma. Ele diz que a criação de mais fundos como o HSBC ISE e a procura dos investidores por esse tipo de aplicação vai incentivar a mudança. E lembra que, no exterior, o HSBC lançou dois fundos globais de sustentabilidade, o Global Equity SRI, com sede em Luxemburgo, e o Life Global SRI, para fundos de pensão, em Londres.
Ribeiro lembra que a sustentabilidade é observada pelo IFC na hora de conceder empréstimos para empresas, critério que vem sendo adotado também pelos bancos privados. Segundo ele, empresas que seguem os três pilares da sustentabilidade - respeito aos critérios sociais e ambientais, governança corporativa e baixo endividamento em relação à estrutura de capital - representam menor risco para o credor ou investidor e tendem a garantir o sucesso da empresa por um período mais longo.
Ribeiro diz ainda que, olhando o histórico de desempenho dos diversos índices e fundos internacionais, o que se vê é que não se consegue provar que os investimentos em sustentabilidade têm melhor desempenho que os demais. Mas também não têm performance menor. "Isso já é uma grande vantagem em fazer a opção pela sustentabilidade", diz Ribeiro.
Indicador supera Ibovespa
Daniele Camba De São Paulo
Às vésperas de completar um mês, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) revela que o investidor já valoriza as ações de empresas que praticam responsabilidade social e ambiental. Desde a sua estréia, no dia 1º de dezembro até o dia 27, o ISE acumula valorização de 4,73% frente 4,55% do Índice Bovespa.
Para os especialistas, muito mais que o desempenho de um mês, será no longo prazo que os índices que reúnem as empresas com boas práticas devem se destacar frente índices mais técnicos, como o Ibovespa, cujo critério de escolha é a liquidez das ações.
O comportamento de índices na linha do ISE e que já existem a mais tempo comprovam essa tese. O mais velho deles é o Índice de Governança Corporativa (IGC), composto pelas empresas que fazem parte dos Níveis 1, 2 e Novo Mercado de governança corporativa. Desde a sua criação, em junho de 2001, o IGC acumula rentabilidade de 267,20%, muito acima dos 129,52% do Ibovespa, até dia 27. "É isso que deve ocorrer com os índices seletivos frente aos técnicos", diz o especialista em sustentabilidade Roberto Gonzalez.
O Índice de Tag Along (Itag) - que reúne as empresas que oferecem aos minoritários o mesmo valor ou um percentual acima de 70% do que foi pago ao controlador em caso de troca de controle -, apesar de ser mais novo (começou em junho), também mostra essa superioridade. Desde a sua criação, o Itag acumula alta de 48,17% frente a 33,21% do Ibovespa, até dia 27.
Além da sustentabilidade, Gonzalez acredita que a grande participação de ações de bancos pode contribuir para o desempenho do ISE em 2006. Com o crescimento do consumo, os bancos devem dar continuidade ao processo de aumento de crédito.
Há empresas que estão em todos os índices de boas práticas. Das 28 companhias que compõem o ISE, apenas seis não estão em nenhum dos níveis de governança da Bovespa - Eletrobrás, Banco do Brasil, Copel, Cesp, Embraer e Copesul. Para o superintendente de operações da Bovespa, Ricardo Pinto Nogueira, isso não é coincidência. "O empresário que se compromete com sustentabilidade geralmente também está engajado em outros tipos de boas práticas."
Matéria publicada em 29/12/05 no Valor Econômico
HSBC cria fundo de ações atrelado ao ISE
Por Angelo Pavini De São Paulo
Antes de completar um mês da criação do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que leva em conta questões sócio-ambientais e de governança na seleção das empresas que o compõem, a HSBC Investments lança um fundo atrelado ao indicador. O HSBC Fundo de Investimento em Ações ISE começa a receber aplicações na segunda-feira e reproduzirá em sua carteira os papéis do índice. A aplicação mínima é de R$ 1 mil e a movimentação, de R$ 100. A taxa de administração será de 2,5% ao ano.
Este é o segundo fundo criado com base no ISE. O primeiro foi o BB Ações ISE, do Banco do Brasil, que acumula captação de R$ 1,845 milhão. Apenas dois outros bancos possuem fundos que levam em conta a sustentabilidade, o ABN Amro, com o Ethical, e o Itaú, com o Excelência Social.
O ISE foi criado no fim de novembro a partir de um acordo entre a Bolsa de Valores de São Paulo, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) e o International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial (Bird). O índice começou a ser calculado no dia 1º de dezembro.
A idéia de criar um fundo de sustentabilidade já era antiga, diz Fernando Meibak de Oliveira, responsável pela HSBC Investments. Por isso, ele acompanhou atentamente a estruturação do ISE, até porque um dos principais gestores da HSBC Investments, Luiz Ribeiro, era do IFC e participou da elaboração do índice.
Meibak acredita que é importante oferecer esse tipo de fundo para os clientes e, por isso, o banco decidiu fazer no primeiro trimestre de 2006 vários eventos nas principais cidades do país em parceria com o GVces. "Queremos divulgar o conceito da sustentabilidade para investidores institucionais, do private bank e do varejo", diz. A proposta é aproveitar o período em que os investidores, especialmente os institucionais, estão revendo suas estratégias de aplicação para o ano. Meibak lembra que hoje a maioria desses investidores usa como referencial para os ganhos de suas carteiras os índices Ibovespa e o Índice Brasil (IBrX) 100 ou 50. "Primeiro temos de convencer os investidores da importância de usar o ISE como referencial também", explica.
Um dos problemas do ISE é que hoje, ele é muito concentrado no setor financeiro, admite Luiz Ribeiro. Mas ele lembra que é um efeito inevitável uma vez que o setor de serviços tem um impacto muito menor no meio ambiente do que o industrial, por exemplo. "Mas acredito que isso será minimizado no futuro, com o ISE ganhando força e mais empresas respondendo aos questionários da GVces para entrar no índice", afirma. Ele diz que a criação de mais fundos como o HSBC ISE e a procura dos investidores por esse tipo de aplicação vai incentivar a mudança. E lembra que, no exterior, o HSBC lançou dois fundos globais de sustentabilidade, o Global Equity SRI, com sede em Luxemburgo, e o Life Global SRI, para fundos de pensão, em Londres.
Ribeiro lembra que a sustentabilidade é observada pelo IFC na hora de conceder empréstimos para empresas, critério que vem sendo adotado também pelos bancos privados. Segundo ele, empresas que seguem os três pilares da sustentabilidade - respeito aos critérios sociais e ambientais, governança corporativa e baixo endividamento em relação à estrutura de capital - representam menor risco para o credor ou investidor e tendem a garantir o sucesso da empresa por um período mais longo.
Ribeiro diz ainda que, olhando o histórico de desempenho dos diversos índices e fundos internacionais, o que se vê é que não se consegue provar que os investimentos em sustentabilidade têm melhor desempenho que os demais. Mas também não têm performance menor. "Isso já é uma grande vantagem em fazer a opção pela sustentabilidade", diz Ribeiro.
Indicador supera Ibovespa
Daniele Camba De São Paulo
Às vésperas de completar um mês, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) revela que o investidor já valoriza as ações de empresas que praticam responsabilidade social e ambiental. Desde a sua estréia, no dia 1º de dezembro até o dia 27, o ISE acumula valorização de 4,73% frente 4,55% do Índice Bovespa.
Para os especialistas, muito mais que o desempenho de um mês, será no longo prazo que os índices que reúnem as empresas com boas práticas devem se destacar frente índices mais técnicos, como o Ibovespa, cujo critério de escolha é a liquidez das ações.
O comportamento de índices na linha do ISE e que já existem a mais tempo comprovam essa tese. O mais velho deles é o Índice de Governança Corporativa (IGC), composto pelas empresas que fazem parte dos Níveis 1, 2 e Novo Mercado de governança corporativa. Desde a sua criação, em junho de 2001, o IGC acumula rentabilidade de 267,20%, muito acima dos 129,52% do Ibovespa, até dia 27. "É isso que deve ocorrer com os índices seletivos frente aos técnicos", diz o especialista em sustentabilidade Roberto Gonzalez.
O Índice de Tag Along (Itag) - que reúne as empresas que oferecem aos minoritários o mesmo valor ou um percentual acima de 70% do que foi pago ao controlador em caso de troca de controle -, apesar de ser mais novo (começou em junho), também mostra essa superioridade. Desde a sua criação, o Itag acumula alta de 48,17% frente a 33,21% do Ibovespa, até dia 27.
Além da sustentabilidade, Gonzalez acredita que a grande participação de ações de bancos pode contribuir para o desempenho do ISE em 2006. Com o crescimento do consumo, os bancos devem dar continuidade ao processo de aumento de crédito.
Há empresas que estão em todos os índices de boas práticas. Das 28 companhias que compõem o ISE, apenas seis não estão em nenhum dos níveis de governança da Bovespa - Eletrobrás, Banco do Brasil, Copel, Cesp, Embraer e Copesul. Para o superintendente de operações da Bovespa, Ricardo Pinto Nogueira, isso não é coincidência. "O empresário que se compromete com sustentabilidade geralmente também está engajado em outros tipos de boas práticas."
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